“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

domingo, 13 de abril de 2025

morte

você trouxe o fim de tantas coisas

dentro e fora de mim

 

o fim do que eu resgatei 

ingenuamente

enquanto esperava você

 

os lugares que visitamos

não existem mais

e as coisas que dissemos

não eram reais

não existe nada

quando não se diz a verdade

 

mas ao mesmo tempo

sou tão grata

sem você 

jamais teria visto

 aquela cicatriz

 aquele abismo

entre o que eu via

e o que precisava ser visto

 

nesse abismo

graças a você

eu me joguei 

e esse foi o melhor mergulho

 

na queda livre

 aprendi a voar

 

não quero te dar

uma importância maior

como se faz

quando não se quer perceber 

outras coisas 

óbvias

 

nunca gostei de deixar

nada pra depois

mas me acostumei a deixar

tantas coisas pra trás

 

não é que você 

não seja importante

mas o que fomos não era pra ser importante

era pra ser despedida

do que não precisava ficar

 

pensando bem

viver depende

de dizer adeus

 

sexta-feira, 21 de março de 2025

Líquido

E pensar que

O que eu mais gostava

Era seu olhar


Repare

Não disse seus olhos

Mas o olhar

Ou seus ouvidos

Mas sua escuta

O tempo todo era eu


Você saiu de mim 

Sem nunca de verdade entrar

Você nunca foi

Tão água assim


E pensar que

Ver um oceano 

Onde não há 

É naufragar

Apesar de 

Não ter tanta prática 

Aprendi muito cedo a nadar

O tempo todo era eu


No fim

Estava certa

Águas rasas

Não servem pra muita coisa


Talvez

Eu não nade

Tão mal assim


quarta-feira, 12 de março de 2025

túmulo

 é irônico 

você decidiu ir

quando voltei aonde

não tinha restado nada

 e ninguém mais estava

 

não sobrou rosto

ou pedra

é como se a cidade inteira

voltasse ao pó

 

 as pessoas são outras

e foram viver

em outro lugar

estar só é um momento

que cai como chuva fina

no dia que não se tem 

onde esperar

nada passar

 

eu andei por essas ruas

e é como se eu 

ou você

nunca tivessemos existido

 

na verdade

nunca existimos

é como se você não tivesse um lugar

passado, presente ou futuro

na verdade

você se comporta

como se não fosse nada

 

talvez você não seja

coisa alguma

e não tenha restado nada

 

não quero ser rude

mas me entristece

que essa cidade

e você

eram vivos

e hoje são como

sepulcro

e memórias perdidas

histórias esquecidas

 

você não é inesquecível

 e eu não sei

o que faço aqui

 

na verdade não existe

caminho de volta

dói 

mas na vida

não se pode voltar

só existem pequenos bilhetes

em bolsos antigos

que te fazem lembrar

e se você tiver sorte 

sorrir

 

meu Deus

como é que se pode 

não ver nada

nesse mesmo lugar

é como se tudo tivesse sumido

consumido 

no que eu não soube olhar

 

talvez se eu soubesse lembrar

 saberia

como eu vim parar aqui 

 

é como se eu já soubesse

e jamais pudesse

imaginar

 

universo

 não é porque não te vejo mais

que estou de outro jeito

 

as coisas bonitas que vi

em você

são minhas

ainda moram aqui

os meus olhos

são parte de mim

mesmo que um dia tenham

se demorado em você

 

então talvez eu nunca tenha

visto o que há 

de verdade

em você

 

 você não fez o dia nascer

tampouco o sol se por

as luzes continuam acesas

como alguém que me ama

sempre lembra

eu sou o sol

 e todo um universo

que ressoa 

feliz

 

 

as coisas passam

e a minha raiz

está plantada

crescente

olhando pro céu

se afundando na terra

sentindo a chuva

a minha alma é lavada

à noite

quando eu falo sozinha

 

o que se vê

na verdade

é o que se 

se tem

terça-feira, 11 de março de 2025

Alcancei o tamanho da paz e posso entregar o que é puro, manso, tenro, sereno.

Como uma casa há pouco arrumada, limpa. Pode- se entrar e sair, sem que se nada se altere. Mesmo que ela tenha te causado a melhor das impressões. Mesmo que seus calçados estejam sujos, mesmo que te falte coragem de entrar.

 

A casa não é sua. Essa casa foi feita por mim, a mãos que se fecharam, se torceram, se uniram. 

Essas paredes desmoronaram mais vezes que posso contar. A estrutura refeita, remoldada, mas a terra é minha e por isso, sou incansável. Muito- talvez tudo- me faltava e eu precisava aprender a morar, a salvar uma vida, ou mais.


Uma casa não pode se erguer, se abrir, se antes não for sagrada. E a casa que chamo de minha, abriga o espírito e a essência de todas as coisas. E o sagrado não se abate, portanto, eu vivo de essências imbatíveis, independente de todas coisas.

O sagrado é manso e humilde e não consegue sozinho, mas é de uma força maior. Força essa que anda, descansa, resplandece, anoitece e amanhece por si só. Eu a conheço de uma forma, forma essa que habita meu lar. 

Por isso, no íntimo, essa casa é humilde. A quem for bem-vindo, oferece o cuidado que frutificar. No mais, tem uma fé própria e olha além dos calçados sujos e mentes confusas, pede que esses sejam deixados à porta. A soleira demanda coragem, na entrada um espelho reflete você. Só quem estiver disposto a aprender o caminho consegue chegar.


Por isso que aqui me refaço com todas as coisas e nada fica sujo ou fora do lugar. Algumas coisas quebram e nem sempre tudo se pode remendar. Algumas coisas precisam acabar. Por que eu me lembrei, mesmo com mãos cansadas, de fazer portas e trancas, que fechem bem o que precisa ficar.

Veja, o problema não são seus calçados ou suas coisas fora do lugar, nada disso importa aqui. A casa quer é coragem, segredo, saber o que é sagrado e o que pulsa dentro de você.  Eu vejo quem chega, quem se perde no caminho, quem não vê beleza aqui, quem não quer ficar, e quando basta fecho as portas, com chaves de aço, prata, ouro, terra, ferro, fogo, o que houver - nas minhas mãos, repare quantas coisas carrego nas mãos.  E a casa uma vez trancada, permanece do mesmo jeito.  

Entreguei algo com esmero e gentileza, e você não pôde ficar. Isso não muda a verdade ou o que aqui está. Essa casa habita em mim e precisa continuar. O que mora aqui é o que existe para dar. A porta se fecha em zelo, em tempo de resguardar. 

 

 

 

 "A alegria, como eu lhe chamo, é parte do minúsculo do imprevisível. Um pequeno martelo de luz golpeando o bronze do real. Eu sei, no momento em que parece que a vida está em paz, que tudo está apenas esperando. Está em suspenso, prestes a se transformar. A alegria não é calma, é um golpe, e o momento da paz é a espera do que vai acontecer. Esse golpe de luz atinge o real e o transforma em outra coisa. Nada mais é o mesmo."

 Shakti. It means power, strength, courage. 

 

It means something far deeper - Goddess Consciousness itself. 

 

The silenced feminine and the untamed Goddess will merge. I'll do it my way. 

Shakti

 To love a wild feminine isnt for the faint hearted. 


The world murmurs about the divine feminine - soft, gentle, healing. 

But I am in awe of the wild feminine. The one who doesnt just soothe you - doesnt just love you.

 

She unveils you. Se undresses your soul. She ruins you for anything ordinary and lukewarm...

The wild feminine is a storm dressed in soft red silk. She is a prayer of the full moon. 

 

You cannot tame her.

You cannot own her.

She will not shrink for your comfort. 

 

Do not step closer if you fear thunderstorms. Do not enter her ocean if you only want shallow waters, 

Do not call her too much whe she was never meant to be less. 

 

You already knew what she was. You just thought she would soften for you. 

She wont.

 

She is the ache you will never forget. 

She is the kiss that rewrites your destiny.

She is the mantra you hear in the meditation. 

She is the ice melting on your spine in the heat of the summer. 

Once you taste her, nothing after will ever taste the same. 

 

The wild feminine doesnt chase. She attracts. 

She doesnt beg. She invokes.

She is an initiation, not a convenience. 

 

To love a wild feminine is not for the faint-hearted. 

 

It will crack you open.

It will dismantle you. 

It will strip away everything you false. 

 

To love a wild feminine is to enter a sacred rebellion. 

A love. A meditation, A death. A rebirth.

 

If you find her, 

dont analyze her. 

 

Honor her.

Hold her.

Stand beside her. 

 

Or walk away. 

 

Because only a rooted masculine, unafraid to meet the divine in the eyes of the feminine, can truly show up for the Wild Feminine. 

 

The Wild Feminine is a paradox. 

 

She isnt meant to be analyzed. 

She isnt meant to be dissected. 

 

She is meant to be felt. 

To be revered.

To be worshiped - not in temples, but in the very breath of existence. 

 

Because the wild feminine is not just a woman

 

She is the mountain in cannot not conquer.

She is the ocean that refuses to be owned.

She is the storm that answers to no one. 

 

She is everywhere. 

 

In the fire in your lover's eyes.

In the stillness before the monsoon. 

In the scent of earth after the first rain. 

 

The wild feminine does not need to be found.

 

She never left.

She is waiting for those who can witness her, hold her, meet her. 

 

And if you cannot, she will pass through you like a dream you will never touch again.

segunda-feira, 3 de março de 2025

eternidade

 comecei a ler textos antigos

escrevi tanto

que não tive tempo 

de terminar

 

mas a verdade 

é que só escrevo

quando me sinto só 

 

o problema 

é que 

eu poderia escrever 

pra sempre

 

pulmão

você está de joelhos

no meio da noite

dizendo uma prece

e ouvindo uma voz

 

preciso de te contar um segredo

você não tem escolha

sei como você se sente

você não está caindo

não peça ajuda

comece a rezar

 

aquele lugar que você sonha

não existe

a não ser que você ande até lá

ninguém vai chamar seu nome

até que você diga qual é

 levanta e anda

com seu próprio rito

sua própria fé

 

peça ajuda 

aos próprios sonhos

faça uma prece

a quem já não está mais aqui 

 

se quebre em mil pedaços 

até que você entenda

o segredo

 

esse homem não existe

por que nenhum deles

é bom assim 

o que você vê 

são seus olhos na água

 

mergulha

e aprende a nadar

quebra o vidro do espelho

e reflete a sua força

por pior que seja

naufragar

é habitar 

as profundezas de si 

 

você pode ser 

história

ferrugem

perdida no mar

mas continua a respirar

 

quem sabe nadar 

está na superfície

só habita oceano

quem se deixa afogar

alicerce

 sabe aquele tempo

em que se pode ter lar

simplesmente estar

eu nunca morei lá

 

é como se me faltasse 

uma parte que constrói

todas as outras 


não sei se tenho chances

de estar perto de casa

se nunca sei o caminho

 

também não quero precisar

de uma mão junto a minha

por mais doce que seja

caminhar ao seu lado

me faz esquecer de andar

 

sinto raiva 

das minhas pernas bambas

como pode alguém crescer tanto

e a essa hora

querer andar sem ninguém

 

pois veja

falava de dar as mãos

e acabei lembrando das pernas

como sempre

atropelada

 

torre

 dê as coisas 

a importância que tem

 que conseguem deter

 

não falo de pessoas

homens

muito menos

raros nos despertam

algum tipo de força

diferente da que fazemos

todos os dias

 

o que eu quero dizer

é que como o sol

você deve nascer e se por

sozinha

todos os dias

até que 

por força maior

 atraso 

coincidência

ou maldição 

desperte atrasada

 

você sabe andar só

sorria

enquanto aprende 

que andar junto

é se atrasar

as vezes você tem pressa demais

e uma parte boa da vida

acontece devagar

eu sei que o ritmo é uma mulher

mas esse corpo vai precisar de um espaço

talvez com tempo

alguém consiga ocupar

 

eu não te digo vá devagar

já aprendi a lição

eu te digo vá

e não pare

corra 

e dance a noite toda

até que possa descansar seus pés

tirar os sapatos

e deitar

ao lado de quem não se assuste

e não deixe de arder

 

você vai continuar sendo 

essa força da natureza

trovão 

silêncio

nascer do sol

mas você aprende

a aquietar

aquele cheiro de chuva

o arco-íris de quem faz as pazes

e acorda melhor no dia seguinte

 

esqueci o principal

não se importe demais

com as coisas que passam

você acordou de muitas noites ruins

pra ficar sem dormir

acorda

e sobe as escadas

talvez alguém tenha força

e te encontre 

na torre que é 

ser você

 

mas não se esqueça

não suba tanto

não suba tão só 

que ninguém possa alcançar

aquela brecha

é só pra quem a encontrar

por isso esse lembrete

desmorone

mas não ceda

 saiba quando parar

 

entregue um tanto de si

como quem trava uma guerra

somente deixe levarem de ti 

a parte que couber

cuide que seja justa qualquer trégua

sem perder ou ganhar

até que haja paz 


seja eterna

minta

seja sua

dê a tudo e todos

a importância

de vir depois

 

 

domingo, 16 de fevereiro de 2025

pérola

 um velho lugar

que sempre é o mesmo

as ondas ainda quebram

o mesmo mar

reflete 

revolve

 mas agora

nos seus olhos

 

pela primeira vez

o medo

um pedaço meu

de fora

e ainda assim 

seus olhos 

como esse velho mar

reviram tudo

 

e se você escutar demais

tragar meus amores

se você for de verdade

uma trégua

e eu não souber ganhar 

 ou se o seu cuidado

for como os outros naufrágios

 

um mergulho em paz

talvez traga a tona

o que houver

conchas antigas

 com os segredos 

guardados em mim

 

 essas sete chaves

tem motivo de ser

são coisas antigas na areia

profundezas guardadas

as minhas criaturas

 

e não seria justo

se você soubesse nadar

quebrasse as ondas

e monstros em mim

se não fosse ficar

 

segunda-feira, 17 de junho de 2024

Saudade

Missing you 

Comes in waves
That do not drown 
But carry me
Further and further away

I am alone
In the sea
Of the lies you told
Still
Next to the shore

I am silent
In my prayer
So that I do not drift
Apart from myself
Although I scream
To be near you

The sea
The shells
The sand
And the wind
Remind me
That strength
Also comes 
Within every 
Single
Wave

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

 Olhando as cicatrizes

Talvez eu não seja feita de titânio

Mas a pele de tão cortada

É agora impenetrável 


Então talvez quem perdure

Não seja de fato eterno

Mas poderia pra sempre

Resistir

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

my favourite things

everythings tainted

by the long lost gone

touch of my 

perverse

abstract 

memories


there is this strange pleasure

in being alone

that moment you know 

for sure

that no ones coming

no ones ever knocking on your door

or making you a surprise

no stranger bearing gifts

just a lullaby playing 

over and over

inside you ears


as if to remind you

its all wrong

the memories

the song

when all you love most

has made you mad

 

the ink runs over my skin

washes the house in black

back to the days

i lied in the dark

 

i just knew

there would be no time

no truce

nothing left to start

 

i could run

or learn to play the piano

or have many more man

and continue to always be

the one who leaves

 

but nothing sufices

 

what is lost

what is hidious

in between

always

where i once was

i cant seem to truly go

anywhere

 




quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

 “Put two ships in the open sea, without wind or tide, and, at last, they will come together. Throw two planets into space, and they will fall one on the other. Place two enemies in the midst of a crowd, and they will inevitably meet; it is a fatality, a question of time; that is all.”

“O que tem de ser tem muita força.”

sábado, 9 de janeiro de 2021

Bedroom

 A robe by the chair

And clouds of ancient blue
By the window
A cup of plain old coffee

In this room
All things lie quietly
Amongst whats true

Nothing else must remain
But peace and solitude 

Ive heard walls crashing
And this bed has seen
Lovers and days
Go by

Between my holly
And broken
Absolutely favourite things
I hold no sorrow 
There is no other way to stand
Then still



segunda-feira, 30 de novembro de 2020

To me

You were many things

None but a dream


To think I could yearn

To think I would get 

To keep

Anything


To me you were many colors 

And I

In my many shades 

Of yesterday

Was never colorful


When the end begun

We had to sit through

The last of our many 

Many goodbyes


I can only hope 

For forgiveness

For Ive only known

One way to leave


To think we could 

Live forever

Somehow

Gave my bare soul

Strength to go


It might have been

A crushing departure

But there was no place 

Left to go

Between your arms

And my ways


To us

Maybe there ll always be

Some sort of beauty

Calling 

Do not despair


Somethings can only

 remain

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Ritual

O brilho do fogo

Acorda os tambores

Hoje

Arde o que veio antes

Até não restar nada


Ontem 

Eu era o estrondo

O escuro

Em comunhão 

Cortando o céu 

Ruía o ouvido

Despido o espírito 


Os meus demônios

Expurgos

Dançam do outro lado

Do mato

Fértil

Da mente


Todo esse céu 

É raio

E me parte inteira


É noite de adeus

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

 Amor com mais raiz que flor. 

domingo, 11 de outubro de 2020

The bad things about me

Some can only shred

Some know only how too bleed

Ive cut myself 
With the very same blade
Of the things Ill never say

Ive gone mad
So many nights
And felt the fairytale bliss
And once again
Ive turned the table
On someone elses face

My dreams are strangely saying
I should probably let go
Till the end

Where there are no memories
Or blades
Or blood
Wait for the silence
Thats starts again

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Só tenho uma casa

Dentro de um mar sem fim

Perverso 

E cheio

Sempre toma tudo de volta


Barco 

Homem

Ar


O meu lar naufraga 

Todos os dias

Traz tudo a tona


Tanta terra 

a vista

E eu nunca passei perto de ficar

Mentira

É um sonho

Dizia a minha voz

Sempre grave

Em tom escuro


Minha pele era feita de aço

Meus olhos, enfeites

Mas da boca escorre

O mesmo veneno


Eu caía

As coisas que eu tinha

Tão pouco


As mãos compridas

Como tentassem ficar


Se você deixasse

Eu sempre iria te machucar 


Antes que eu acordasse

Meu peito era ar

Esvanecia

Eu te disse

Prometo não demorar 


Depressa

É só um sonho



quinta-feira, 3 de setembro de 2020

“When there is nothing left to loose you have to set yourself on fire”

Live through this, and you won't look back

There's one thing I want to say, so I'll be brave
You were what I wanted
I gave what I gave
I'm not sorry I met you
I'm not sorry it's over
I'm not sorry there's nothing to say
I'm not sorry there's nothing to save”

terça-feira, 1 de setembro de 2020

 I told myself 

I could so do it

it was just a tiny bit

of me 

left to give


and then all would fade

to begin again


I could be endless

afterall

the choice was gone


I said Id do it

I could have sworn

to fix it inside


one last time

before this much left of me

is gone

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

All around was water

I let myself drift away

Your eyes nothing but a memory

Staring me like all the shades of blue


Our love 

Torments the sea


There was no place I could not find you

Nowhere I didnt see you

Maybe the flood

Was supposed to save me


From all I’ve seen

And heard from love

There are always so many things

Ahead of us


I kept swimming

 Through the never-ending storm

Against all reason

Maybe the sea

Was meant to save you too

 When I left you

Nowhere was far enough

All I had was emptyness


Love, 

I fear

 I might have given you everything 

I’ve ever been.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

 As histórias que vou contar 

Como todo o resto do tempo

Passaram como raio

Talhadas em mim

Dobradas

Distoam 

E assim

As tenho

Na palma da mão 

Na ponta da língua

À flor da pele

 


segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Pele

A memória vem
Feito enchente

Esqueci de viver
Depois de você

Um rosto sempre virado
Pra fonte 
Pro pátio 
Sítio inesgotável
Cheio de mim
fértil demais

Se a memória mentisse
Talvez você morresse

O arrepio vem a noite
pulsa nas veias
E corre
Feito sangue

quinta-feira, 25 de junho de 2020



o nosso céu foi feito
antes que a gente nascesse
calado
começo
pertence
a ninguém

a nossa figura
existe em qualquer lugar

depois
rasgou-se o véu
nada cobria
nem o sonho
nem o espaço do corpo
na face daquela terra

andávamos feitos de força
como qualquer propósito
sagrado
frente a tempestade
cabíamos nas mãos

e o atravessar
que foi meu e seu
se move
de tão vivo
me diz
como não seria assim
se o batismo nesse rio
é você

treva
aura
tudo

terça-feira, 19 de maio de 2020

Fragmento

talvez eu construa uma casa
com todos os pedaços
do que você tocou
da foto
do copo
da pele

não é que eu precise
dessas memórias
mas as visito
como uma sinfonia
tocasse
dentro do quarto

e suportar
que a minha casa
não seja minha
explica

nem todas as coisas terminam

e nesse acidente
invadindo tudo que é nosso
nada

nada
deixa de ser nosso

do pedaço
o vidro
do outro lado
sempre espelha
você

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Noite

Eu via os sinais mudarem
De cor
Vagavam poucas pessoas
Em algum lugar
Havia um abraço

Artifícios voavam então
Pelo céu da minha varanda
Esse era o meu reino
Onde eu via tudo passar

Eu notei os sinais mudarem
De jeito
Monstrando de novo
A rainha
Da solidão

A coroa era feita de fogo
Refletia um caminho
Além dessa corrente fraca
Não atravessa meu rio

Alguém descalço se encontra
Parado no meio da rua
Pode ser que escutemos
Os mesmos tambores

Os sinais entoam
O mesmo eco
Meu corpo errante
Meu império

segunda-feira, 30 de março de 2020

História

Queria saber se você entende
Ano passado eu teimei
Em provar que eu podia ir embora

Se desse certo
O desfecho seria o mesmo
Do jeito errado
Sempre com pressa

A minha impressão
Ditava os dias
E o seu rosto no escuro
Só dizia o que eu não queria
Mas eu continuava deitada
Ao seu lado

Desde sempre eu só quis
fazer parte do que acontece
Em você
tão devagar
Será que a gente ia conseguir
Se entender tão bem
tendo todas as falhas iguais?

Me mata ver você crescer
Sem perguntar o que eu acho
Sem outro pescoço que sustente
O que pesa em mim

Eu sei que a culpa foi minha
No ano passado e no outro antes desse
Mas queria muito
Saber de você

sábado, 21 de março de 2020

If only we could be strangers again.

domingo, 1 de março de 2020

Estranhos

Eu vou estar sempre correndo
Do silêncio no seu rosto
No meio da multidão 
Sempre houve ausência 
No amor que a vida fez
Em mistério 

Como é que se cria
Essa força 
E se vive
O irremediável 
Sempre vivo
Sob uma parte minha

Nos lugares vazios
Eu estaria sozinha
Se fosse você?

Se a gente pudesse
Desconhecer 
O rosto
O corpo
E estivesse de novo
No meio da multidão 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Elo

A memória do rosto
Prevalece
A lembrança do riso
Afasta o restante de vida

Tanto tempo
Nada muda na história
Eu sempre carrego você

O espaço nos braços
Deixou que eu fosse
Não há dia
Em que eu não olhe pra trás

A nossa marca
Em brasa na pele
Queima as vestes
Meu peito aberto
Preso no seu

Todas as palavras
Não silenciam
Minha voz sempre
 chamando
O que mora em você

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

I have a strange feeling with regard to you. As if I had a string somewhere under my left ribs, tightly knotted to a similar string in you. And if you were to leave I'm afraid that cord of communion would snap. And I have a notion that I'd take to bleeding inwardly. As for you, you'd forget me.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Well I've heard there was a secret chord
That David played and it pleased the Lord
But you don't really care for music, do you?
Well it goes like this:
The fourth, the fifth, the minor fall and the major lift
The baffled king composing Hallelujah


Well your faith was strong but you needed proof

You saw her bathing on the roof
Her beauty and the moonlight overthrew you
She tied you to her kitchen chair
And she broke your throne and she cut your hair
And from your lips she drew the Hallelujah


But baby I've been here before
I've seen this room and I've walked this floor
You know, I used to live alone before I knew you
And I've seen your flag on the marble arch
And love is not a victory march
It's a cold and it's a broken Hallelujah


Well there was a time when you let me know
What's really going on below
But now you never show that to me do you
But remember when I moved in you
And the holy dove was moving too
And every breath we drew was Hallelujah



Maybe there's a God above
But all I've ever learned from love
Was how to shoot somebody who outdrew ya

And it's not a cry that you hear at night
It's not somebody who's seen the light
It's a cold and it's a broken Hallelujah






domingo, 26 de janeiro de 2020

Andarilho

Tudo em seu lugar

Eu ainda vejo seu rosto

Nessa ilha antiga
Névoa e memórias
Não se encontra adeus

Uma estrada de terra
Meu corpo vagando
pelo mesmo caminho
Até o mesmo destino
Fora de si

Dadas todas as cartas

Eu ainda vejo seu rosto

Toda a viagem corre também
Nenhuma parte nega
Não há volta
Ou verdade
Nessas coisas que eu persigo

Cada passo a frente
Marca o chão
E meu rosto
Atrás do seu

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Final

prefiro pensar em você
nos instantes que eu não entendo
na música
na voz
na hora

Quase me agrada
O grito fino seco
Na boca só fica
Seu nome

Queria tanto
Não ouvir esse eco
Insistindo em início
Eu não podia
Odiar o final
Não posso sentir
Seu toque na pele
A boca aberta
O corpo parado
Arde
À noite
Eu não durmo

E você não vê
Você não me viu passar

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Outra vez

Eu queria tanto saber
Do tempo que não muda
Do nosso universo
Tão antigo
Porque o seu rosto
Nunca envelhece

Se fosse cedo
Eu falaria sua língua
Mas eu não soube ficar
Alguém ficaria
Sem dizer nem ouvir
Quase nada seu

É tão mais certo fugir
Talvez esquecer
Outra época
E não estragaria
Tudo de novo
Outra vez
A vida não seria
O que restou
Depois de você

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Luz

Um pouco mais
E não haverá ideia
Que resista a nós dois

Estive em todos os lugares
Nenhum parecia real
Os passos vagos
Os olhos menores 

Eu posso dizer
Você acreditaria? 

Há luz onde viviam olhos
Desenhos novos na pele

Alguém acreditaria
Que vimos tudo
Tão longe, tão cedo

Como pareceria
Se fizéssemos 
Todas as coisas
Pessoas 
E crenças 
Caírem 

Você esteve o tempo todo
Escrito aqui

Se eu soubesse antes
Não haveria mundo
Ou olhos
Eu sempre

Sempre

Encontraria você 

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Lugar

Pra onde vão
coisas não ditas?

o gosto de ontem
o que não se ouviu

eu preciso dizer
que carregaria o mundo
mais uma vez
mas nunca mais

houve o tempo
de acreditar em tudo

eu não ouvia nada

pra onde vai o amor
o medo na minha voz
a imensidão dessa dúvida
o tamanho daquele sonho

quando o cansaço é maior
que o final





Novo

não se apegue
às coisas bonitas

ao lado da cama
ou uma memória
tão perto

não é preciso lembrar
há dentro de nós
tudo o que finda
e algumas coisas
não devem permanecer

é preciso vir primeiro
assistir o amanhecer
deixar-se ir

há sempre algo mais
dentro do adeus

há um rosto novo
que recorta o passado
como se lembrasse
de mim
 e soubesse
eu preciso rir
outra vez


antes de ir embora
preciso ver os cantos
da casa
vazia

a minha história
tão forte
edifica qualquer adeus


Viagem

fiz as malas devagar
durante anos
guardando o que importa

o que doía
o que sorria
embalados
a duras penas

fiz as malas devagar
talvez sempre tenha havido certeza
ninguém iria ficar

era hora da mudança
fiz da soleira da porta
o maior obstáculo
era escuro depois do portão

mas era hora da mudança
 impossível ficar
 mais ainda conter
o que precisa ir embora

não restou tempo
pras suas lágrimas
chovia muito
elas não viriam

por isso, amor
eu fiz as malas noite adentro
como quem esperava poder ficar

não há o que dizer
sobre o breu lá fora
e o seu rosto
virado sempre
pra outro lado

ser quem vai embora
é tempestade
e ser quem fica
é rezar e dormir
sonhando algo diferente

talvez eu não volte mais
ficaram algumas coisas no armário
tanto tempo atrás

e por mais que eu precise ir
como é que se arruma uma vida
devagar


sábado, 30 de novembro de 2019

Mar e terra

Mesmo breve a sua ausência
repetirei em sonho, em paz

Eu preciso de você

Sem saber do mar, navego
Pra onde for
Nunca é longe
Não demoro

Até as ondas se põe 
A tragar a saudade
Como se soubessem:
Tudo lembra você 

Talvez eu não veja o raiar do dia
Ou naufrague na parte minha
Que insiste em eco
Vento, rocha
Seu nome no ar

Se a noite cessasse 
Tornaria a nadar
O caminho imerso
de volta
Você seria praia

Serei o corpo estendido na areia
Até que as ondas quebrem
E eu termine de esperar

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Visita

O amor é uma velha morada
não é possível adentrar em silêncio

logo à porta
O assoalho solto
range, incessante
passos e noites inteiras

não se toma um coração
sem antes um susto
barulho que corta o sono

não se vive um amor sem surpresa
surpresa malfeita dessas
Sai existindo
despenca no chão

Tropeça e se sabe trôpega
o amor não começa
de um salto
faz da graça uma corrida no peito
peito que chama, rouco, um nome

o amor não tem voz
ouve nas ruas
as glórias de ser assim
roubado
artista
atroz

uma casa nova
e essa tábua solta
escondida no tapete
sem remendo

fica perto da porta antiga
que nunca bate
como quem diz
chegada a hora
é preciso  chamar

domingo, 10 de novembro de 2019

Comum

Não há volta
Quem estava atrás
Seguiu em frente
Não há ninguém a sua volta

Qual é o caminho inverso
Ou talvez você quisesse
Seguir ao contrário

O gosto amargo
Da sua casa
Ter outro gosto
E é nébula
O que me revolve
Quando você não está

Um selo
Divide-se igual a morada
Mas quando não há
Ninguém
Deveria haver você

E não há ninguém
Aqui

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Spirit

Doesnt it bother
How much is forgotten?
Rotten minds
Empty eyes

Mothers and fathers
Who perish
Trought it all
Daughter who lived
Like hell
Young
Faithfully behind

How many threads
Of life
Remain untouched
How I wish I could surrender
Win all
Of this long gone spirit

Ausência

Chegar e viver como se o dia
não tivesse existido
Esquecer os menores
Sórdidos detalhes

Ver de perto
O oposto
Da vida
De nós 

Perder o certo 
Sentir um vício qualquer
O perigo
A família
Querer deixar de ser
Tanto de si

A morte
O Mero detalhe
Da morte 
Tatua na pele
Coisas não tão importantes assim 

Na verdade
Todos rezamos pelo fim
Fadados
Perdoados ou não 
Quanto cuidado
Tanto barulho
Por nada


segunda-feira, 27 de maio de 2019

Daughter

I still visit the place
At the dark meadow
Of secrecy
Truth is I thought I could lock
All of this
Lingering in the air
And throw away the key

But Its known
Dark and abscense
Hardly ever go somewhere
Other than inside

Terrifying beds and faces
And strings attached
And night after night
All the things I shouldve said

I cant ask for forgiveness
Since youve never learned to talk 
Neither have your hands
I wouldn know where’d you go
Since the last time we met

Although i might
Be headed for madness
I will always remember
You

sábado, 17 de novembro de 2018

Empire

Sit quiet among chaos
Watch yourself gently burning
In complete despair
In everything
You could never call yours
Know about the things that fade
Without ever being seen
And the loves you've wrecked
When the thirst remains
Sit alone and hear the noise
Of truth beneath the soul
Get to bottom of regret
And plant deeper roots of bitter
On the ground that stumbles upon
The reality:
You cannot leave
So stay
And sit quiet among chaos
For time and understanding
Have only name
But no heart
No God
Just like the silence of the past
And all that lies between
Slowly disappearing
For goodbyes are intact
Awake
And you cannot leave

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Cura

Às margens do rio
Uma alma torpe
Diz adeus

Na ânsia do encontrar
A minha palavra se desfaz
Negra
Banhada em prata
Insolente
Calada

Escuto
O que implora
E a culpa dessa promessa
É minha
Se eu pudesse
Cada pedaço são
Seria algo dado
E todo outro eu
Seria algo que importa

Mas a minha voz
Sabe uma ciência
E quer falar de amor
Irremediável

Queria dizer
Melhor
Ser além
Desse mesmo antigo mal estar
Que iguala os rostos
E mata o corpo
Um dia de cada vez
De um poder pequeno
Vulgar
Tão cansado
De perecer

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Destino

Mesmo os dias
Mais distantes
Dos outros

Mesmo com saídas
Não encontradas
E encontros
Talvez em vão

Se confia no ter
Naquele terço da palavra
Existe sempre um dizer que fica
Sou eu esta parte
Desbotada
Amanhecida
Vívida

O despertar da voz
Sou do que fizer meu querer
Querer ficar

domingo, 13 de maio de 2018

Incontrolável

E talvez eu vá um dia aprender
Que o meu sorriso cabe
Em coisas inteiras
De tamanhos iguais
E cores diferentes

Você sabe
Que me lembro de você
E talvez por um acaso
Você vá entender
Tarde demais
Que a lembrança é a alma
De todas as coisas vivas
Tentando contar uma história
E viver um tempo mais

Por mais que o medo
Seja às vezes
Uma maneira de parar
A batida no peito
Permanece

E talvez o destino
Se encarregue
De qualquer jeito
E nenhum de nós aprenda
Na verdade
O quanto cabe
No espaço de viver

terça-feira, 6 de março de 2018

Primórdio

perdoados todos os pecados
nenhum deles
parece maior
que meus próprios
 e talvez, sanados
seriam memórias
num passado tão bêbado
quanto o meu

de todos os desajustes
os meus parecem insones
um perigo tão íntimo
cheio de si
tão exato
quanto a própria morte

a fala drástica
e o escuro alento
um abraço velho
o metal que não corta
a pele que não cede

talvez as minhas faltas
sejam em número
algo além
e no meio da noite
escutem demais
chamando sonoras
e tomando enfermas
qualquer lâmina ou pele
transfixando o tempo
de volta
a você

sábado, 3 de março de 2018

You are where my mind goes
When I am away

domingo, 25 de fevereiro de 2018

The problem is I wanted to be a fucking hero.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Herói

A minha palavra era crua
Quase como se falasse a verdade

Depois
A minha fala era rota
Como se houvesse
Vivido demais

O que o corpo via
E os olhos notavam
Ocupava as linhas
Mas eu não escrevia do medo
Eu não conhecia a alma

Agora
Todos os meu segredos sangram
E a minha palavra rompe
Dentro e fora
Em algo feio
Em alguma raiz amarga
Nas memórias cruéis

Talvez fora dessas linhas
As minhas paixões
Tenham ido
Longe demais

Nas noites existe uma culpa
E um senso de ser escrava
Do erro que me trouxe
Até aqui

Pouco importa
O antes ou o agora
De uma mulher que carrega
peso em demasia
E dores rebeldes
Quase como se precisasse existir
em um ato heróico
de pura teimosia

Run

I can see the truth
As well in the shadows
As well in your eyes
Full of sorrows

Like a mad song
Played out of love
For goodbyes

Does it set you free to run?

Can you taste
The fear in your words?

And while you write
The same old story
Getting ready to leave

Refusing to see
That no one can save you
From where you've hidden

Always on the edge
Of daring to move
No one can finish
All the things you've started

I can see the truth
Though I cannot see you

sábado, 20 de janeiro de 2018

Presente

quero mais
do meu corpo e do seu
despertando breve
e dizendo da dor

saber do que sangra
e se perde
o que se ouve
falando de amor

em algum lugar da memória
e do agora
partes minhas
se rasgam iguais
mas os pedaços finais
destoam idênticos
como se nunca houvesse
origem

a minha teimosia
arde
e procura infinita
outros corpos febris

em algum lugar do mundo
existe amanhã
uma outra boca
que diga sem querer
uma alma cansada
tão perdida quanto o tempo
com um querer de encontro ao meu
 rompendo-se a toa
e nascendo sem jeito

Tarde

você chegou tarde
e estava a passeio
todos os meus defeitos
eram sérios demais


eu não soube parar
o meu relógio
é feito de atrasos
e você não sabe
ver as horas

então nessa pressa
do desencontro
pensamos ter tido
paz
e reinamos no escuro

quando dia se faz
a razão desponta
e se nos perdemos
como sempre
é porque estivemos
presos
vendo cada segundo passar

mas o ponteiro importante
apontava pra dentro
há muito tempo
atrás

e nós
como sempre
perdemos a hora

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Passed away

I've been alive once
and overwhelmed
by my own peace
but that was
forever ago

all dead things
caught up with me
and it does not matter
how far
I can go
I could never get there
or anywhere

now all rush
lies with the endless agony
of remaining
chained to something else

I am one of the dead
wandering through the waste
of my own life
I cannot fade
although I am slowly
disappearing

and it is not scary
that the bullets and blood
should drive us away
when they were here first
when we were actually never here

I knew my heart
inside out
and I felt its beat
it's everlasting desire
for existance
to feel whatever there was
to be felt
I might have been
alive

but that was
forever ago

sábado, 6 de janeiro de 2018

Pedaço

o silêncio se faz
quando é constante
estar aos pedaços

eu já não sei dizer
dos cacos
qual parte fica
se algo de fato
vai

não há outro jeito
talvez não haja fim
enquanto reste
qualquer esboço inteiro

é preciso quebrar
fazer do que dói
um vento
reduzido a pó
uma memória perdida
resquício no ar

talvez o amor seja a quebra
a dobra
o começo do fim
uma parte perdida
desde o princípio
feita de propósito
vagando só
de encontro ao que é frágil
e ainda acredite
em resistir

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Chave

Se eu contasse em segredo
Que acredito em cada palavra
E mantenho as luzes acesas

E te pedisse que esperasse
Até que pudesse ficar
Contasse a verdade
E desvendasse um caminho?

Talvez a casa seja antiga
E ecoe
Algumas memórias amargas
Mas e se eu dissesse
Que não é preciso ir?

Talvez nesses vultos
De dúvida e tempo
A resposta seria
A mesma
Ausência

Não há casa
Nem voz
Tampouco caminho

Mas e se não fosse preciso
Palavra ou teto
E eu pedisse somente
aonde morar?

Price

It sets you free
And adresses you
In the most suspicious details
As if almost asking you
To stay

What is given
Remains
As a triumph
After lifes are lost
Cause your life is the price
When
Everything changes

It blinds you
For whatever else
Out there watching
Your eyes
Are no longer the same
Once they have taken forever
Saying goodbye

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Velho

Você era o retrato da paz
Uma lembrança
Sempre bem vinda
Que nunca retorna
E talvez a minha única
E eterna
Fraqueza

Uma mancha no traje
Destruindo a gala
Um amarrotado no armário
Sempre fechado

Quando eu abro a porta
Quando meus olhos se abrem
Tudo sente
Não haver outra maneira
E é esse beco
A minha saída

A fuga é vermelha
E nada existe
Além de uma visão manchada
Borrada de água
Um velho acidente

Talvez eu não sinta
Nenhum outro medo
Nesse escuro
Em que sustento
Todo o meu mal

Como o soar do relógio
E o apito de um jogo
Que nunca acaba
Como o meu correr
Que corre os passos de um estranho
Um estranho que sangra
Toda uma família
Uma família que cai
Pra longe de si

Uma queda brusca
Que despenca e destoa
Da paz
A paz que eu não tenho

Talvez a única morte
Que de verdade se sinta
Seja a morte desse viver

Esse viver que enjoa
E madruga
E ressaca
Nas minhas ondas
Dessa praia triste
Assistindo a algum nascer
Carecendo de sol

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Steps

I loved you
untill my heart was gone
there was no trail
not a trace
of myself left

now
there is nothing I long to show you
for I am no longer here

nothing I ask
no promises made
all is broken
so many days
and never
 tomorrow

I loved you
to dust
and broken pieces
of a worn out soul

untill the truth set me free
you and I would always fade
and we keep walking
 away

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Light

I've searched
Through the fields of emptyness
And the sorrows of yesterday
What longed to be found
The light that does not fade

When my eyes
Gazed upon
What you had become
I knew
That nothing ever stays the same
For everything keeps changing
While I wait for you
I know
I have always been waiting
For the day
My eyes would look
Into their own soul

For I have found you
And everything else
Knows

Courage

where is
the window to the soul
ancient light
amongst the maps
of long lost secrets
and acient hidden treasures

what is
the language of memory
betrayed by fear
bewitched by love

between the depth of what remains
and the death of what must die
we are cold
corageous liers
setting fire
to all beautiful things

for we do not only see
but consume all
sacred things
untill nothing is left
in essence
in beauty
in us

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Queen of nowhere

The things I've truthly loved
And lost along the way

No
I never got them back

And still
They find their way back
In the most perfect silent
And complete abscense

Maybe they are not
Completely gone
Otherwise I could be
Crossing some holy line

It's all gone
Everything's been missing
Ever since the beggining

And there is this attempt
Holding on
To whatever stands still

The answer is no
I have never gotten back
What I lost in this land
Of all the things I love

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Chamado

Os murmúrios do fim da tarde
Continuam
Assim como as manhãs
E tudo mais
Lembrando você

Os meus lembretes erráticos
Duvidam de si
Como quem enlouquece

Eu não sei o que dizer

Se é loucura
Ou recusa
O que se aceitou
Uma ideia mais viva
Um último sonho

O assovio da chuva
O frio da viagem
Um retrato que não envelhece
Uma prece religiosa

Juro não me entregar
Mas prometo a rendição
Enquanto esse espaço ocupado
Viver de volta
E eu tiver de existir

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Halfway

Love is easy
When you're always leaving

And if every little reason
Does not hurt
Hard enough

And if within every hour
The wound won't bleed
As red as it takes
for you to run

Then it's clear
And sour as pain

If it doesn't burn
Then love is easy
If you're healing
there is no feeling

domingo, 15 de outubro de 2017

A lie

They've asked me before
What it is that frightens me
And won't let me stay

I stood in silence
For what I fear most
Belongs as deep
As all I know

It is not the unknown
The abscense of light
Or air
Whether it's dark or dangerous

As I kept the winding truth
To myself
I saw once more
What can't be told
Since no voice
Speaks such language

What was never said
The last time I saw you go
The faith in every loss
And all that stays behind

The way I've always let go
Or the depth within my soul
As I watched you do the same

My speech was bold
As I said

"I'm afraid of getting old
And still
Pale and scattered"

But I knew
Time has only scared me
Once before
Since this sacred acient idea
Started seeing me cry
And whisper through the night

What if this is the end

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Termo

Nasci no dia errado
E a vida veio depois
Sucessiva
Desordenada

Se o que se prolonga
Tivesse acabado cedo
E o caos exato
Não durasse mais
Que qualquer verdade conhecida
Eu suportaria muito menos

Se os golpes fossem
Apenas vento
As portas não bateriam tão forte
E o escuro
Fosse somente a noite
Talvez eu estivesse mais longe

Mas nessa exatidão
Do que nunca acontece
O caminho é de pedra
E o breu é de ausência

Mais que muito
A única brisa
Embalando o caos
É uma prece sem fim
Desde o dia em que o erro
Falou primeiro
E o presente dado
Era o jeito
Teimoso
Com que a vida insistia

E dessa briga
Da mão espalmada forte
Queimando o rosto
(O mesmo rosto no mesmo corpo
deitado, úmido e nostálgico)

Dessa linha torta
Levando a lugar nenhum
Saí
E talvez até agora
A ideia de viver
Tenha passado distante

Mas a marca da mão
E das horas perdidas
Ainda habita o rosto
E apesar do horário
Não fazer nada além
De promessas

Esse nascer continua
E retorna
Ao começo
De todos os erros



quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Verão

Os dias tornam a crescer
E as noites curtas demais
Reaparecem
Nessa antiga ausência
Desde o último sol que se pôs

Se eu dissesse quando
Jamais diria agora

Mas o nome
O calor
E o suor
Vem a noite
E durante o dia
Em sonho

Como o diabo
Atentando a mente
Ateando fogo
Ao que já não sabe queimar

Os corpos
E o que houve
Ecoam
Que diabos
É esse tempo
Que não passa

E essa paixão
Que nada mais é
Além de história
Mal contada
E vivida
Covarde e vadia
Pequena
Sem fim

De repente a volta
Se dá num segundo
Em outras ideias
Como um vício
Os passos, as mãos
As roupas no chão
Noites torpes em claro

E se eu dissesse quando
Tudo mais calaria

E de todas as perdas
Pouco importa a solidão
Na lei sem nome
Do que nunca se explica

Plataforma

Não é precisa
A razão em viver
A vida é uma ordem
Quase nunca seguida

O que procuro
Por onde ando
Simplesmente não é
Certo ou errado
Mas jaz em segredo

Talvez o perdão
Seja tão sagrado
Que nunca tenha habitado
Nossos sonhos perdidos
E almas pesadas

E se os vazios e sombras
Forem eternamente desmedidos
E o amor não vier mais uma vez?

Não é mistério
A partida ou a saudade
Ou amar um homem
Que sequer homem é
E prova ser impossível ficar
Por equações sem encanto
Nos delírios do seu medo
nunca desfaz as malas

Não é surpresa
Que o amor seja
A boa e velha passagem
Do embarque de amanhã
Quando a história na verdade
Era sobre perder a viagem

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Ice

It feels like I'm not
Interested at all
In a life that is not
Surrounded by loving you

Outside the passion
And the warmth
Revolving the past
I have become blind
I'm religiously passionate
And unbelievably blind

I am forever lost

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Minutes

Where the secret lies
Thats the place
Hearts keep coming back to

They plead forgivennes
And swear to remember

All I do
Is beg for a reason
Why I keep seeing your eyes

It doesnt matter
That one of us is long gone
And my heart and soul
Are miles away
From running to you

I come home
Whenever possible
And every part of this room
Cries along my craving
Cause I cant keep living
Inside you

Within memory
Within loss
We keep on grieving
And refusing whatever is left
Chained
Like locks
Not meant to be open

And although I love you
Beyond my screaming
My words cant reach
Your eyes cant seek
So there is nothing else
Although there is love

Even so
Despair goes by
Every blink of my eye
There are seconds
When unique parts of you
Walk through this doors
Take my hand
And we walk in silence

So quiet
Sound asleep
There is nothing left for us
No air
Or hands
Not even our precious words
Although you are here
And I cannot be elsewhere
Neither feel something
Other than this eye opening
Everlasting despair

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Dobra

Minhas palavras resignadas
Com todo o resto que cedeu
Nessa estrada levando
Os passos e a razão

Algumas lutas
São feitas de um corpo só
Mas dessa vez
Meu corpo é deitado
O rosto contra o chão
seu delírio contra o meu
A mesma velha prisão

Se alguém estiver acordado
Vendo o tempo passar
E o silêncio arrancar
Qualquer bocado são

Se a sua coragem fosse força
Ou o seu desejo fosse chão
As pernas correriam
Mas existe prudência

Existe razão

Essa luta
De todas as outras
Se extende pelas curvas
Da minha recusa
E incansável solidão

O que é só não recomeça
Tampouco extingue
A memória viva
A antiga agonia
Sensatez e exaustão

Despeço-me
Do outro lado
Os seus passos serão segredo
E talvez a vida
Não seja de novo
Um mundo em chamas
Rompendo em idéias demais

Mas a marca do que é são
Não dura tanto assim
Quanto o grito que ecoa
E pede por muito
Pouco
Por algo a mais

Reina o meu silêncio
Enquanto não ruirem as paredes
Querer é desejo uníssono
Fôlego em alto mar
É perda do sentido
E primórdio

Reina a minha distância
Enquanto o querer for memória
E não implorar por mais
Enquanto os joelhos não dobram
E o grito não sai

Chances

No use in sorrow
In rembering what is lost

All that resembles
All perfect things
Lie awake

For they are never given
And foverer taken

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Correio

Essa é a última carta
e talvez não chegue
até as mãos
é sua por direito
assinada
rasgada
a punho
e dentro do peito

Essa linha é de desabar
como os seus olhos
desaguando em adeus
uma corrente que segue
sempre contente
prestes a desistir

essa outra é do silêncio
pelo meio do caminho
que ninguém andou
o silêncio claro e preciso
nesse feixe de luz
só e meu

a tinta é de cor neutra
como a folha de papel
com suas dúvidas impressas
e suas notas invisíveis
o meu nome riscado
numa lista
de presentes que ficaram

a despedida é óbvia
de tão rápida corta os dedos
como os seus pensamentos
falando sempre tão baixo
e esperando a dor passar
como um bilhete sem palavras
vivendo de esperar

a data não ocupa
o topo dessa folha
não houve tempo
ou o que quisesse estar

essa é a última vez
em que a resposta falha
e o querer insiste
sobre quem não resiste
sem saber que essa carta
(como todo o resto de amor)
é feita de ficar

domingo, 17 de setembro de 2017

Carry on

They say
Better days
Are about to come
But no living soul
Wants to talk about
The unreal tomorrow

For the better days
Have gone by
While we were
Incredibly lost
In one another arms
Throughout the nights
In some other time

I wanna talk about
The one thing I know
And lies awake
Inside the yesterdays
Irremediably fading

Nobody wants to move
For somewhere
In memory and time
One thing always remains
And no time
Can take away

domingo, 10 de setembro de 2017

Walk away

And then, out of the blue, the pain and endless devotion, it's time to go, not to chose, to pray, or regret; all there's to do is let go and leave. No need to make the best out of it, no pressure or loneliness. The broken part of us will find it's way through and bad memories will no longer remain intact, no longer breathe inside us everyday.
All we have to do is follow and still, we're afraid to do it.
Like music being played at the piano, life should be lived. Instead of using only finger tips, we should use the bottom of our hearts, note by note, touch by touch, beat after beat - then maybe we would find out that not every song needs a great ending to be extraordinarily beautiful.

Actual

I wish for a love that is sweet
and that won't carry me through the way
but one that comes along

I wish for a love that will ask the right question
instead of torturing me for an answer
priceless and quiet
like the sky when full of stars

One that is not rushing nor leaving
but sits next to me and softly takes my hand

a love I can actually feel.
  

'Tonight the light of love is in your eyes
Will you love me tomorrow

Is this a lasting treasure
Or just a moment's pleasure?
Can I believe the magic of your sighs
Will you still love me tomorrow?"
 
I could try to run, suceed in hiding, but I could never stop dreaming. Time passes but I could never be frozen. The warmth of my heart keeps reminding me of who I am and what to do, even when I don't understand, even when I refuse.

Begin

to know the future
is knowing too much

knowing about the future
means leaving so much behind
and bearing more than one can take

can we just hurry up?
I'm still in a rush
for you

Third day

The air I'm breathing keeps trying to tell me something I cannot hear. I don't want to remain dead and all my life I've been blinded for I was never mine.
I've been trying to find something truly precious, but I was taught to look in all the wrong places, I was taught that I could not decide to make changes.
I am so tired of feeling weak. Every power lies inside us, waiting to be felt, multiplied, to spread the best of life. No one but ourselves can drive us where we want to be.
you say love
is a long way to go

we cross our fingers
blow our minds
and let each other go.

29/04/11

Demorou para que eu começasse a desejar coisas diferentes, uma eternidade passou até que pudesse pensar em desejar qualquer coisa. Por muito tempo, só evitei o que era possível evitar, a convivência era um ideia insuportável. Era pior que quando nada sai de acordo com o plano. Não havia plano e nada saía de acordo, tudo discordava. Ainda não pude contabilizar tudo o que foi perdido; não consigo me lembrar de tudo que senti ou do que disse a mim mesma para enfrentar o tempo.
Foi pior que uma enchente carregando tudo - pelo menos a água faria o trabalho; foi um deserto me obrigando a carregar, sozinha e sem força, tudo pra longe.

29/04/11

morrer um pouco
de verdade
seria dádiva
 dar-se
a mais pura forma
de entrega

29/04/11

primeiro dormi
e parecia mentira
o pesadelo não passava

segundos depois,
a solução sobreviveu
pouco tempo
suspirou e deu adeus

atrás, o terceiro,
pior que o primeiro,
perdido

perdi tanto tempo

bati as três portas
a última com mais força

atrás de todo primeiro,
segundo,
terceiro

os espaços em mim
são novos
e pressinto todos
inteiros.

03/07/11

Eu costumava ter mais espaço para escrever e mais tempo pra viver. A culpa da mudança é a junção de muitos fatores que ninguém é imparcial o suficiente para atribuir.
Peço desculpas, mas a culpa talvez não seja minha; estou indo e você quer ficar. Pode ser que seja só o começo, mas insisto que é do começo que se parte - nunca pensando somente em chegar.  O caminho seguido é maior  que o triunfo e sei que seguimos pensando em ficar.
Desculpa, não posso ficar, girar os seus olhos e forçar os seus pés - a culpa talvez seja sua. Tenho tantos motivos e tanta história sem você que cansa imaginar; deixa sem causa, sem resposta, sem despedida. Desculpa, mas deixa: você devia escolher e não sabe como, não vou esclarecer.

Ida

Não é fácil assistir você virar passado, deixar sumirem um a um, todos os resquícios. Enquanto eu for boa com as palavras, talvez encontre uma definição para a agonia de não agarrar qualquer memória desesperada e ficar, um jeito de explicar como eu só sei ceder frente a tudo que desapareceu. O quarto fechado não me esconde mais.
Talvez não seja a hora de falar, desistir ou tentar, só o silêncio parece certo. Só o que some parece trazer paz. Tudo o que resistia cede lugar - querer, teimar, voltar. Nada mais merece um olhar, nada mais pede tempo e tampouco vai esperar. O escarcéu silencia deixando pra trás uma bagunça imensa, pacata - o depois não é infinito, afinal. Sei que o desfile passou, que as coisas seguem espalhadas pelo chão e a banda toca em algum canto da cidade, mas meus olhos e ouvidos sabem-se sãos, sabem-se úteis - e de tão conscientes, olham algo mais.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Firmamento

se os mesmos pares de olhos
encaram o mesmo céu
as estrelas conhecem segredos
velados todas as noites

e os lábios que sussurram
contam em prece um pedido secreto,
o céu assiste todos os dias
a um passado caindo em si

um sino ressoa ao longe
tilintar de brindes inaudíveis
num banquete estelar
aonde se arremessam
todos os dados
aonde se cruzam
todos os universos

e a paz de todos os desfechos dorme
como se nada dependesse do acaso
e ensina as estrelas
que não se encantem
pelo uníssono da oração

pois os olhos refletindo as estrelas
carregam com zelo antigo
a mais singela agonia
em assistir o final
do que vive todos os dias

Fogo

como partículas de ser
e poeira da memória,
flutuam lentas pela sala
a luz e a quietude
do não repousar

talvez haja um dia
ou sejam anos
até qualquer retorno
ou sombra de um rumo

talvez eu não veja jamais
alguma velha estrada

o silêncio do cansaço
e a paz de uma história contada
velada
atravessada pelo tempo
invadida por um presente óbvio

irremediavelmente sem graça
como chama extinta
vivendo apenas
do fato de ter queimado
da fumaça que vai

não existe razão
para o valor
dos maiores tesouros
ou motivo para o início
que narra uma vida

as mensagens do fim
são soltas
e inertes
em dialeto dormente nos lábios
em sutil desespero

toda história
sobrevive de finais
e reside em ausências
como um vazio perfeito nos olhos
e absoluto na alma

domingo, 13 de agosto de 2017

Não vem

Numa cadeira de balanço
A tarde passa
E você ainda fala

Alguma música antiga
Lembra
Não poder esperar

O Silêncio certeiro
A pontaria grosseira
Um dia que nunca chega
Um retrato de nós dois

O mesmo encanto
Do que teima
E não dissipa
A mesma manhã mal dormida
Em recomeçar

O cansaço na pele
A ânsia nos olhos
Orbitando o amargor
De quem deixa de aguardar

Correntes

Nem tudo floresce
Paciência

Nomear o que continua
No sono
Na tarde calma
E esfria como o vento
É inútil como o futuro

Alguns amores
Não inspiram
E algumas portas não fecham
De tantos os defeitos
O mundo segue
E os corpos padecem
Outras coisas morrem

Paciência

Flutuar

E então estou só
Em todos os mundos
De não pertencer
Nem às escolhas feitas
Nem ao que se nega
Ou se busca no desespero
Do próprio caminhar

O meu querer é sem medo
E não é páreo
A minha alma não oscila
Entre o que fica
Estou só
E sempre
Indo

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Lugar nenhum

As minhas ilusões
Nunca foram verdade
Ou se tornaram outra coisa
Além do que me guiava
Pra longe daqui

Querer ficar não basta
E o que espera
Pelo meio do caminho
É o mesmo e velho pavor
Parado na estrada

Nesse vendaval
Assombrando cada passo
Uma voz dispara
E eu nunca soube nada
Além de viver em qualquer lugar

E o céu que escurece
Também diz
Do que eu não sei
E do que vem
Como se eu pudesse esperar

A minha ideia
Não é real
A minha tristeza
é a pedra no chão
E não impede o caminho
O medo colide contra as estrelas
O meu céu sempre cai

domingo, 6 de agosto de 2017

A promessa

sinto em mim
a extensão do que sobreviveu
algum lado bom
do que já se partiu

esse lugar que pede por tempo
e chora pelo espaço
que já não ocupa
e lamenta esperar

esperei por uma vez
em que tudo se encontrasse
e as raízes do que resiste
na terra em que eu caminho
respirariam
no mesmo mundo
que tornaria a viver

sempre fui a promessa
quebrada
eterna
teimosa
eu sempre morri de saudade

nunca esqueci
aonde mora a alma
dessa memória intacta
o motivo de esperar
 ou o laço entre a verdade
o abraço
e o caminho de volta



sábado, 5 de agosto de 2017

Manhã

por que é que asas batem no céu
e os mesmos corpos ocupam o chão

e perco a força
tão bruta e minha
tratando de desaparecer

e se eu jogasse fora
todo esse caos
sumiriam os meus erros
e a minha voz

e se tudo não passou
de um sonho
talvez eu não saiba acordar

e as noites se repetem
até que já tenham sido escritas
todas as ideias tolas
vagando pelo meu vazio

até que esqueça os motivos
ou o cansaço vença
faltam escolhas
e sonhos

mas o fim dispara
sereno e pontual
asas, céus e infernos
e o corpo a acordar

domingo, 30 de julho de 2017

Na hora

por algum motivo
o meu futuro desenhado
vivia estendido pelo caminho
e nunca houve dúvida
sobre a cor mais viva

sei que o fim
pode ensaiar um mar
e tirar uma parte
que não existia
como se a vida começasse
no exato momento
do despertar em agora

sem saber
contei uma história
que se desdobra em mil pedaçoes
sonhei os sonhos que doeram mais
pensei estar cega
quis estar longe
mas antes de acordar
uma única visão
se dizia verdade

as minhas perguntas no escuro
as minhas orações em tempo
nada se atrasa
enquanto a voz
a prece
o amor
e a alma no corpo
souberem de si

passado
presente
futuro
limites frustrados
tudo o que existir
na verdade
vem depois
e nem sempre enquanto
estivermos aqui

Azar

Já esperei por tantas coisas
hoje me contento
com o silêncio
de todas as coisas
claras
e óbvias

já esperei por manhãs como outras
e noites estarrecidas
por uma vida esparramada
nos braços de sempre
mas sei que a felicidade é um lapso
e um segundo que sempre passa

o resto é esse viver ingrato
essa ânsia sem rumo
hoje eu me contento
e posso repetir mil vezes
estou a salvo
 e ninguém me salvou

 quero meus lábios calmos
e meus passos na beira
e as vezes
esse destino sangra
e quando chove
a minha janela desenha você

dentre tudo o que foi perdido
 descanso o meu olhar
faço as pazes
com as cartas sob a mesa
talvez eu tenha tido sorte
ou perdido o jogo
talvez eu viva pela metade
depois das histórias curtas

Já falei sem parar
sobre o que segue
e me vicia
entornando tudo que vejo
num rio correndo depressa

mas depois dessa agonia
abandonei a pressa
e não falo mais de nada
a beira do rio, da estrada
dos olhos que fecham
agora
sobrevivo de ouvir
entrego os dias
a rendição é simples
eu preciso escutar

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Clichê

sobre o que não se nomeia
e desponta em toda praia
existe em todo olhar
e jamais resistirá:

nunca me arrependi
de ter amado
ou falado de amor

existe uma hora
em que tudo é necessário
tropeços, lamentos
até mesmo o sopro
perto das manhãs
as noites na memória

por vezes
eu soube expressar
e levar na alma
o que estivesse
ao alcance do encontro
e de tudo que quis encontrar

precisei de muitos plurais
e de outros dias
apertando o peito
talvez eu tenha me despedido
mas nunca foi de vez

de qualquer jeito
ou em qualquer recorte
alguma coisa se repete
e o primeiro raiar da história
ou aquela tarde de adeus
são enchentes sem hora
quando preciso contar

sei que exagero
mas não há outro meio
quando se conta de tudo
o que cabe na ausência

existem, no íntimo
duas faces puras
doentes de paixão
suas bocas ávidas
nascentes em verdade
uma conta da ida
outra da saudade

a chegada do amor
é o triunfo
de qualquer fim

terça-feira, 18 de julho de 2017

Lei

plantei alguns segredos
e esperei em silêncio
uma flor que nasce invisível
e brilha ao luar

falo uma língua
noite adentro
que desponta a corrente
e flui em prata
amanhece perdida
e repousa em mistério

agora digo
meu mais longo adeus
e misturo tudo a essa palavra
como se não houvessem outras
mas peço a mim mesma
que não esqueça
do som da noite
e do céu
vindo abaixo

agora sei de cada parte
que imagina o retorno
mas que precisa lembrar
das duas beiras do rio
e da floresta que encontra
todas as coisas perdidas
não posso mais ver
o seu rosto do outro lado

 e nessa hora
em que tudo fala
é a única
em que eu nada quero ouvir
nesses tempos exatos
das minhas profecias
plantei algumas memórias
e já não posso
colher o que nasce
enquanto houver você

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Depois

Talvez o que eu esteja tentando dizer esse tempo todo é que falhei. Não é mistério algum esse enorme desastre. Falhei como julgava inaceitável, como qualquer versão minha jamais perdoaria. É possível entender o tamanho da falha quando ela é infinitamente maior do que qualquer outra possibilidade ruim que já se tenha enxergado.
Posso chamar de queda, de perda, de inconsciência, confusão ou qualquer outro rótulo e esse batismo continuaria sendo surreal. Nada remete exatamente ao tamanho dessa catástrofe, tão irreverente e sem precedentes. Foi uma porrada ignorante, foi o produto mais bruto que a vida já me ofereceu, um tombo desmedido que me fez desaprender a andar, um momento maldito que não quero lembrar e não posso nunca mais esquecer. Talvez eu só precisasse assumir o quanto errei, sem pedir perdão, falar sobre qual lição valiosa aprendi ou sobre como me tornei uma pessoa melhor.
Hoje só preciso me jogar e vislumbrar o que eu fiz, o quão longe eu fui e em que diabos eu estava pensando. Questionar se realmente sou algo além dessa cratera no chão da sala, se resolvo mergulhar nela ou se sumo daqui. Quero descobrir do que sou feita, quero esse amargo amargando o gosto de qualquer comida quando eu tiver fome, de qualquer desejo quando eu amar, até que eu não seja nada além desse caos e meus erros e eu sejamos um misto de tudo que é pior em nós.
Almejo um abraço do fim sem promessa alguma de um recomeço e rejeito com todas as minhas forças o que vier depois, porque quebrar por inteiro vai muito além de se desfazer e indefinidamente continuo aqui, porque essa falha é do tamanho da minha vida toda e eu preciso viver.

To be

I stand in the shore
and hit the waves
 before they crash
and everything I live for
gets carried away

and for some reason
I may never know
what lies deep within
the cold water I drown in
and if I did
Maybe at last
you would fade away

somehow I sing along
every melody
disturbing my way
I'm an ever distracted soul
and then I'm getting old

and I dont want to see the end
or search forever more
I want to sit
and rest
talk about ancient stars
hold something more
then this ever-changing dream

I wish for a mirror
to show why it is
this love will ever last
and see the day
when all else got in the way
since then I've been willing to travel
but I could never go away
and who's got the strength to stay

but if this will to fly
spread its wings
and hit the sky
then my dream has never lied

then I'm finally one
and everywhere
I am

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Invenção

não havia muita beleza
pelo caminho
mas quando cheguei
tudo parecia bonito
e esquecido na noite

como um corredor
de fotografias
flores secas em livros
e poeira ao sol
viagens ensinam
que tudo deve envelhecer

a idade não é segredo algum
mas a espera
essa sim é uma arte
 atravessa qualquer rua
destrói cada alma jovem
e qualquer coração
que vá depressa demais

e nesse cruzar
de almas e vazios
a espera mancha o sorriso
e estende um pano branco
que sempre muda de cor

eu sei
sei que explico muito
e sempre narro
o mesmo falar de adeus
queria um aviso
com todas as letras
e acabei estendendo
meus próprios soluços

peço perdão
pela batalha vencida
pela minha crença teimosa
e minha assinatura suspeita
mas preciso saber as horas
e a minha história
carece de ponteiros
e de começos

Pelos ares

há momentos
em que a face
volta-se para o chão
e as memórias sabem-se
perdidas
ambas precisam terminar

a face que olha
que busca
a memória que anseia
devem descansar

por vezes
a paisagem demora
o piscar dos olhos remete
outros tempos
o ar que adentra o corpo
parece simples
e não percebe quão distante
é o tempo que passa

talvez nenhum outro corpo perceba
o tempo passando
e roubando as melhores cenas
herdeiro do que não posso carregar

talvez outros pares de olhos
não vejam o peso sob os ombros
e esses meses e horas
a esmagar o que resta

até que ninguém mais
espere que nada mude
o corpo não rasteje
os olhos levantem
e nada respire

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Benção

Quem há de dizer
sobre o Deus mais poderoso
e erguer um altar
ou florear as preces
quando o tudo o que faz falta
realmente faltar

Como será dividida
a culpa e a memória
quando essa força
levar embora
o menor resquício
de qualquer resposta
ou carregar os desejos
em seus braços ocos?

Quem é que planta
as sementes da ideia
que nunca floresce
ou cuida para que os mesmos olhos
que juram
outro dia se rasguem
e durante anos
sejam cegos?

Os livros e bandejas
os rostos dos filhos
quem é que roga
para o Deus que assiste
a todas as coisas
morrerem de amor?

Se essa força da natureza for lâmina
faz sentido o que corre pelo chão
e entre as montanhas
e se a sua disciplina
desponta como a agonia
de uma manhã que não nasce
por entre as montanhas
da disciplina apática
é óbvio que o que é forte
nunca encontra morada

E se esse Deus for louco
e sem olhos
se estiver rindo em seu trono
onde repousam milhares de adeus
e se tudo o que ele fizer
anunciar por onde se parte a alma
e como o destino é um só?

Se essa mesma figura divina
for sádica
e nada sentir
por onde andaremos
quando tudo mais desaparecer
ou sentirmos que a face envelhece
e a alma se dobra
sem o mínimo sinal de dor
e se nos esquecermos pra onde ir
ou atrasarmos as horas
e habitarmos o vazio?

Pra onde olha
o que ceifa esse Deus
que nos tira tudo
e repõe cada dia
em tons de novo amargor
enquanto morremos de fome
envenenados pela certeza
de que caminhamos?

 E se por um instante
desabar a certeza
e o buraco do inferno
habitar a sala
e soubermos
como a noite que segue o dia
que ninguém virá?

Acaso

se algum dia
seus olhos caírem
sob este poema
saiba que ele nada diz
sobre mim
ou sobre o que quero dizer

se por acaso
o meu juízo falhar
essas notas voarem
 nem o vento carregaria
qualquer parte minha
esses poemas são loucos
e fúteis
e mentem

talvez eu não tenha amado
ou vivido
o que a alma diz
e tudo tenha sido
a mais perfeita ironia
em forma de adeus

se um dia essas palavras
estiverem em suas mãos
use-as como luvas
ou como lenha
ou qualquer coisa que queime
na mais perfeita inexatidão

por todos os motivos
e meus estúpidos perdões
eu nunca disse
exatamente o que quis dizer
ou ocupei o mesmo lugar

portanto
esse poema corre
de mim e de ti
e nada oferece
senão um pedaço de teimosia
e um curto abraço
que não sabe chorar

Comédia

a fé costuma esvair-se
pelas mais incômodas frestras
quando existe a verdade
e o que habita os sonhos

andar pelas ruas
não é a mesma coisa
e o fim da tarde
é somente o fim da tarde

 o café repousa sob a mesa
junto a meus dedos
e à tinta
com que imagino
a cor da última vez
e se nunca mais
essa história tocar os lábios
é porque todas as coisas
habitarão seu lugar

 números e músicas repetidas
selos sem carimbo
coisas sem fim
e dentre todos esses
um começo que ri
e nada principia

remédios e cobertas
e tempestades
em canecas pequenas demais
a espuma no chá
sem mensagem alguma

e um eco entoa
de algum lugar
que um erro
nada mais é que um erro
e todas as coisas simples
dependem de errar

entenda bem
o inexato e a imensidão
das coisas incertas
como uma anti matéria
espalhando o caos
e desfazendo tudo o que ousar ser
ou entornar o viver
numa bagunça real

algumas histórias ousam demais
e se algum dia
essas mãos sob a mesa
se erguerem no ar
haverá novamente
um laço que se desfaz
desamarra os punhos
e a vida
repousa sob a mesa
incapaz

domingo, 9 de julho de 2017

Burnt

I might have been broken
Everywhere one can break
I may have been lost
At all places and causes

There is this flame
That keeps on burning
All the losses and pieces
I solemnly carry
Till I no longer fade

Many are the things
And faces
Brought from the ashes
So many wishes bursting
As I look above
Knowing there won't be time

There will not be time
For I have been gone
All the times I have been held
I have said goodbye
In worlds of spoken language
And milion more silent words
That still remain

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Senescência

Mais uma tarde
Ouvindo minhas canções de inverno
E lembrando dos outros dias
Iguais a este

Algum dia frio
Alguma coisa muda
Ou talvez
Eu seja todo inverno

Quem é que faz o caminho
E dita o desencontro
Qual é o final do teto de estrelas
Em que descansa o seu olhar

A essência desses dias
A lenha dessa estação
São todas coisas belas
Que ficaram
E nem sempre serão adeus

Mas por enquanto
São coisas perguntadas
Depois, esquecidas, dormem

E as horas azuis da estação
Escurecem devagar