“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

segunda-feira, 28 de maio de 2012

fortaleza

aponto os erros
as queixas
não escrevo sem esmolas

são linhas óbvias
fadadas ao cansaço
nada parece tão triste

distantes
alguns sonhos ensinam
alguns erros vencem

algumas coisas se salvam
as mãos renegam as rédeas
o ritmo capota

e o caminho dorme

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Então percebo não haver fim. A história se faz eterna - é reescrita em mim a cada dia. Como custa abrir os braços, a porta, a mente. Como custa vencer quando o que se perdeu é maior que tudo e está em cada escolha, em cada falha, em cada prece. É impossível esquecer uma parte minha.
Antes fosse um defeito, qualquer coisa pela qual pudesse me culpar. Os passos não foram meus, os erros tampouco. São meus os nós, as travas na garganta, a falta. A dor que parece vir de outros lugares - mas vinda de você, sempre. A dor que não sei descrever, que me tira o sono, traz tudo de volta e não me deixa continuar. Atrás de cada sorriso, abraço e cada declaração. A mesma velha dor que me roubou anos, que me impede de ser melhor.
O mesmo ódio já adormecido, de tempos em tempos voltando a rasgar o peito. O ódio de quem não muda, não diz, não está e não é. De quem finge. O ódio me obrigando a ter medo e a não aceitar.
A soma é um desejo, talvez cruel. Não vença dentro de mim. Não esteja dentro de mim. Não exista.

Essência




Repete então, o que foi dito. É impossível lembrar das palavras vazias - mas como se sente o tempo perdido.
E a raiva do que é em vão, do erro que persiste, do grito que não cala. A solidez do que fere e a fragilidade das paredes que se tenta erguer. 
O que não se pode contar, porque está perdido num escuro sem fim - porque se levaria uma vida inteira sentindo - e sentir não é a resposta esperada. Ninguém espera silêncio, a fuga precisa fazer barulho e ocupar todo o tempo. 
Quem espera asilo das prisões da alma? Quem no fundo anseia pela liberdade?
A ânsia em pertencer devora o que é verdade, deteriora o valor real - mente, e mente bem. Coroadas as vontades e os eleitos, o que se sente é sombra. O que for raso, permanece. O que for fardo, afoga-se. O resto, perde-se.
Assim é construída a ausência.