“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

domingo, 8 de dezembro de 2013

em frente

nunca se parte sozinho
há sempre a voz, o rosto, o olhar
a culpa por pertencer
o perdão pelo adeus

a ida precoce
nunca se está sozinho
a saudade não existe
existe o nome que nunca morre
a voz que chama pela volta
a perda em todo o espaço
o foco em cada momento
milhares, matizes

o infinito existe
e nele estamos todos
eternos, vazios
cegos, surdos
amantes
amores

nunca há fé sem amor
e existe tanto amor
que é preciso esquecer

preciso lembrar
o seu olhar ainda olha
em cada canto seu
aprendi que tudo se divide
nunca acabamos de verdade

em cada silêncio seu
a paciência de amar
a ausência dos limites
uma promessa diária
em pertencer ao que se é

nunca há fé sem amor
e eu te amo tanto

domingo, 1 de dezembro de 2013

Desculpa

Acreditar no que eu não conhecia foi escrever um mapa do que preciso entender. Escolher todo dia sentir a mudança, assistir a ausência crescer. Os meus erros, as minhas memórias, a minha saudade.
Eu sei o que eu fiz doer. Sei aonde se encaixa o silêncio, as coisas que eu não consigo dizer.
Eu sei que talvez o perdão não venha, que talvez tenha começado errado.
Mas ainda há tanto que eu gosto de ver. As fotos, as cartas, todas manchadas pelo controle que eu perdi. Minha culpa, toda a minha culpa - tudo culpa minha.
A culpa é sobre a consciência do direito que nunca tive. De tudo que eu tomei sem perguntar, do que eu exigi por segurança. A culpa é sobre saber que é impossível estar seguro. "Perdão, eu não sabia.", "Eu quero recomeçar.", "Quero apagar quase tudo.". Ninguém nos perdoa como nós mesmos.