“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

sábado, 30 de outubro de 2010

indigente

e quem
entende
esse lado
o outro lado
[da gente]

alguém duvida
do fim do mundo
[da gente]
quem levanta
a taça vazia
quem é que brinda hoje

ninguém quer saber
obrigado
de nada
[da gente]
agora sempre
é sem querer

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Mudei. Não é que eu tenha perdido algo por aí. Não quis deixar nada pra trás.
A questão é que tenho carregado tudo e tudo é pesado demais.
Arrumei tudo de maneira que tudo se encaixasse, de maneira que nada se perdesse e nada se perdeu - exceto eu.
Quis guardar pra depois, olhar de novo, sentir falta, quis demais. Ficou tudo pra depois e o depois chegou agora. Preciso que ele volte depois.
Não consigo mais escrever. As palavras travam, as idéias mudam e não há fim pra acabar tanto começo.
Talvez eu devesse começar menos ou achar um jeito de terminar mais.
São dias tentando virar uma página que vira um livro todo.
Dias falando sozinha pra descobrir que raramente falo minha própria língua.
Dias tentando entender, planejar, recuperar, valorizar, reviver ou esquecer os meus dias.
São dias perdendo dias.



diz adeus

diz que acabou
que o tempo não parou

sempre e todo dia

o dia ainda não chegou