“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Minutes

Where the secret lies
Thats the place
Hearts keep coming back to

They plead forgivennes
And swear to remember

All I do
Is beg for a reason
Why I keep seeing your eyes

It doesnt matter
That one of us is long gone
And my heart and soul
Are miles away
From running to you

I come home
Whenever possible
And every part of this room
Cries along my craving
Cause I cant keep living
Inside you

Within memory
Within loss
We keep on grieving
And refusing whatever is left
Chained
Like locks
Not meant to be open

And although I love you
Beyond my screaming
My words cant reach
Your eyes cant seek
So there is nothing else
Although there is love

Even so
Despair goes by
Every blink of my eye
There are seconds
When unique parts of you
Walk through this doors
Take my hand
And we walk in silence

So quiet
Sound asleep
There is nothing left for us
No air
Or hands
Not even our precious words
Although you are here
And I cannot be elsewhere
Neither feel something
Other than this eye opening
Everlasting despair

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Dobra

Minhas palavras resignadas
Com todo o resto que cedeu
Nessa estrada levando
Os passos e a razão

Algumas lutas
São feitas de um corpo só
Mas dessa vez
Meu corpo é deitado
O rosto contra o chão
seu delírio contra o meu
A mesma velha prisão

Se alguém estiver acordado
Vendo o tempo passar
E o silêncio arrancar
Qualquer bocado são

Se a sua coragem fosse força
Ou o seu desejo fosse chão
As pernas correriam
Mas existe prudência

Existe razão

Essa luta
De todas as outras
Se extende pelas curvas
Da minha recusa
E incansável solidão

O que é só não recomeça
Tampouco extingue
A memória viva
A antiga agonia
Sensatez e exaustão

Despeço-me
Do outro lado
Os seus passos serão segredo
E talvez a vida
Não seja de novo
Um mundo em chamas
Rompendo em idéias demais

Mas a marca do que é são
Não dura tanto assim
Quanto o grito que ecoa
E pede por muito
Pouco
Por algo a mais

Reina o meu silêncio
Enquanto não ruirem as paredes
Querer é desejo uníssono
Fôlego em alto mar
É perda do sentido
E primórdio

Reina a minha distância
Enquanto o querer for memória
E não implorar por mais
Enquanto os joelhos não dobram
E o grito não sai

Chances

No use in sorrow
In rembering what is lost

All that resembles
All perfect things
Lie awake

For they are never given
And foverer taken

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Correio

Essa é a última carta
e talvez não chegue
até as mãos
é sua por direito
assinada
rasgada
a punho
e dentro do peito

Essa linha é de desabar
como os seus olhos
desaguando em adeus
uma corrente que segue
sempre contente
prestes a desistir

essa outra é do silêncio
pelo meio do caminho
que ninguém andou
o silêncio claro e preciso
nesse feixe de luz
só e meu

a tinta é de cor neutra
como a folha de papel
com suas dúvidas impressas
e suas notas invisíveis
o meu nome riscado
numa lista
de presentes que ficaram

a despedida é óbvia
de tão rápida corta os dedos
como os seus pensamentos
falando sempre tão baixo
e esperando a dor passar
como um bilhete sem palavras
vivendo de esperar

a data não ocupa
o topo dessa folha
não houve tempo
ou o que quisesse estar

essa é a última vez
em que a resposta falha
e o querer insiste
sobre quem não resiste
sem saber que essa carta
(como todo o resto de amor)
é feita de ficar

domingo, 17 de setembro de 2017

Carry on

They say
Better days
Are about to come
But no living soul
Wants to talk about
The unreal tomorrow

For the better days
Have gone by
While we were
Incredibly lost
In one another arms
Throughout the nights
In some other time

I wanna talk about
The one thing I know
And lies awake
Inside the yesterdays
Irremediably fading

Nobody wants to move
For somewhere
In memory and time
One thing always remains
And no time
Can take away

domingo, 10 de setembro de 2017

Walk away

And then, out of the blue, the pain and endless devotion, it's time to go, not to chose, to pray, or regret; all there's to do is let go and leave. No need to make the best out of it, no pressure or loneliness. The broken part of us will find it's way through and bad memories will no longer remain intact, no longer breathe inside us everyday.
All we have to do is follow and still, we're afraid to do it.
Like music being played at the piano, life should be lived. Instead of using only finger tips, we should use the bottom of our hearts, note by note, touch by touch, beat after beat - then maybe we would find out that not every song needs a great ending to be extraordinarily beautiful.

Actual

I wish for a love that is sweet
and that won't carry me through the way
but one that comes along

I wish for a love that will ask the right question
instead of torturing me for an answer
priceless and quiet
like the sky when full of stars

One that is not rushing nor leaving
but sits next to me and softly takes my hand

a love I can actually feel.
  

'Tonight the light of love is in your eyes
Will you love me tomorrow

Is this a lasting treasure
Or just a moment's pleasure?
Can I believe the magic of your sighs
Will you still love me tomorrow?"
 
I could try to run, suceed in hiding, but I could never stop dreaming. Time passes but I could never be frozen. The warmth of my heart keeps reminding me of who I am and what to do, even when I don't understand, even when I refuse.

Begin

to know the future
is knowing too much

knowing about the future
means leaving so much behind
and bearing more than one can take

can we just hurry up?
I'm still in a rush
for you

Third day

The air I'm breathing keeps trying to tell me something I cannot hear. I don't want to remain dead and all my life I've been blinded for I was never mine.
I've been trying to find something truly precious, but I was taught to look in all the wrong places, I was taught that I could not decide to make changes.
I am so tired of feeling weak. Every power lies inside us, waiting to be felt, multiplied, to spread the best of life. No one but ourselves can drive us where we want to be.
you say love
is a long way to go

we cross our fingers
blow our minds
and let each other go.

29/04/11

Demorou para que eu começasse a desejar coisas diferentes, uma eternidade passou até que pudesse pensar em desejar qualquer coisa. Por muito tempo, só evitei o que era possível evitar, a convivência era um ideia insuportável. Era pior que quando nada sai de acordo com o plano. Não havia plano e nada saía de acordo, tudo discordava. Ainda não pude contabilizar tudo o que foi perdido; não consigo me lembrar de tudo que senti ou do que disse a mim mesma para enfrentar o tempo.
Foi pior que uma enchente carregando tudo - pelo menos a água faria o trabalho; foi um deserto me obrigando a carregar, sozinha e sem força, tudo pra longe.

29/04/11

morrer um pouco
de verdade
seria dádiva
 dar-se
a mais pura forma
de entrega

29/04/11

primeiro dormi
e parecia mentira
o pesadelo não passava

segundos depois,
a solução sobreviveu
pouco tempo
suspirou e deu adeus

atrás, o terceiro,
pior que o primeiro,
perdido

perdi tanto tempo

bati as três portas
a última com mais força

atrás de todo primeiro,
segundo,
terceiro

os espaços em mim
são novos
e pressinto todos
inteiros.

03/07/11

Eu costumava ter mais espaço para escrever e mais tempo pra viver. A culpa da mudança é a junção de muitos fatores que ninguém é imparcial o suficiente para atribuir.
Peço desculpas, mas a culpa talvez não seja minha; estou indo e você quer ficar. Pode ser que seja só o começo, mas insisto que é do começo que se parte - nunca pensando somente em chegar.  O caminho seguido é maior  que o triunfo e sei que seguimos pensando em ficar.
Desculpa, não posso ficar, girar os seus olhos e forçar os seus pés - a culpa talvez seja sua. Tenho tantos motivos e tanta história sem você que cansa imaginar; deixa sem causa, sem resposta, sem despedida. Desculpa, mas deixa: você devia escolher e não sabe como, não vou esclarecer.

Ida

Não é fácil assistir você virar passado, deixar sumirem um a um, todos os resquícios. Enquanto eu for boa com as palavras, talvez encontre uma definição para a agonia de não agarrar qualquer memória desesperada e ficar, um jeito de explicar como eu só sei ceder frente a tudo que desapareceu. O quarto fechado não me esconde mais.
Talvez não seja a hora de falar, desistir ou tentar, só o silêncio parece certo. Só o que some parece trazer paz. Tudo o que resistia cede lugar - querer, teimar, voltar. Nada mais merece um olhar, nada mais pede tempo e tampouco vai esperar. O escarcéu silencia deixando pra trás uma bagunça imensa, pacata - o depois não é infinito, afinal. Sei que o desfile passou, que as coisas seguem espalhadas pelo chão e a banda toca em algum canto da cidade, mas meus olhos e ouvidos sabem-se sãos, sabem-se úteis - e de tão conscientes, olham algo mais.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Firmamento

se os mesmos pares de olhos
encaram o mesmo céu
as estrelas conhecem segredos
velados todas as noites

e os lábios que sussurram
contam em prece um pedido secreto,
o céu assiste todos os dias
a um passado caindo em si

um sino ressoa ao longe
tilintar de brindes inaudíveis
num banquete estelar
aonde se arremessam
todos os dados
aonde se cruzam
todos os universos

e a paz de todos os desfechos dorme
como se nada dependesse do acaso
e ensina as estrelas
que não se encantem
pelo uníssono da oração

pois os olhos refletindo as estrelas
carregam com zelo antigo
a mais singela agonia
em assistir o final
do que vive todos os dias

Fogo

como partículas de ser
e poeira da memória,
flutuam lentas pela sala
a luz e a quietude
do não repousar

talvez haja um dia
ou sejam anos
até qualquer retorno
ou sombra de um rumo

talvez eu não veja jamais
alguma velha estrada

o silêncio do cansaço
e a paz de uma história contada
velada
atravessada pelo tempo
invadida por um presente óbvio

irremediavelmente sem graça
como chama extinta
vivendo apenas
do fato de ter queimado
da fumaça que vai

não existe razão
para o valor
dos maiores tesouros
ou motivo para o início
que narra uma vida

as mensagens do fim
são soltas
e inertes
em dialeto dormente nos lábios
em sutil desespero

toda história
sobrevive de finais
e reside em ausências
como um vazio perfeito nos olhos
e absoluto na alma