“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Dobra

Minhas palavras resignadas
Com todo o resto que cedeu
Nessa estrada levando
Os passos e a razão

Algumas lutas
São feitas de um corpo só
Mas dessa vez
Meu corpo é deitado
O rosto contra o chão
seu delírio contra o meu
A mesma velha prisão

Se alguém estiver acordado
Vendo o tempo passar
E o silêncio arrancar
Qualquer bocado são

Se a sua coragem fosse força
Ou o seu desejo fosse chão
As pernas correriam
Mas existe prudência

Existe razão

Essa luta
De todas as outras
Se extende pelas curvas
Da minha recusa
E incansável solidão

O que é só não recomeça
Tampouco extingue
A memória viva
A antiga agonia
Sensatez e exaustão

Despeço-me
Do outro lado
Os seus passos serão segredo
E talvez a vida
Não seja de novo
Um mundo em chamas
Rompendo em idéias demais

Mas a marca do que é são
Não dura tanto assim
Quanto o grito que ecoa
E pede por muito
Pouco
Por algo a mais

Reina o meu silêncio
Enquanto não ruirem as paredes
Querer é desejo uníssono
Fôlego em alto mar
É perda do sentido
E primórdio

Reina a minha distância
Enquanto o querer for memória
E não implorar por mais
Enquanto os joelhos não dobram
E o grito não sai

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