antes eu explodisse
e fossem pelos ares
todos os últimos delírios
antes não coubessem em mim
essa vontade amarga
que não consigo engolir
essa febre insana
queimando a memória
que teima em você
o que são agora
as minhas promessas
fracas
estúpidas
se jogam ao chão
quem manda serem assim
o que é agora de mim
está pelos cantos
como uma canção besta
cantada sem querer
antes eu declarasse guerra contra mim
antes eu escrevesse bêbada
a culpa é minha
e eu disse não
havia fome e sede
e os escombros de uma voz forte
antes eu gritasse
e fugisse
antes você não estivesse dentro de mim
o que resta de mim
se arrastando por algo além
dessa dor que martela seu nome
se ao menos eu pudesse levantar
mas é uma força desgraçada
pregada em lugar algum
não há mais aonde eu queira estar
domingo, 27 de novembro de 2016
domingo, 20 de novembro de 2016
Babel
há algo por trás do seu rosto
pelas suas costas
um resquício vaidoso
do que se costumava ver
deve ter sido
deveria ter havido
aquela certeza
a proeza em continuar
mas então há a memória
de que história alguma
sobrevive de heróis
não haveria o que salvar
enquanto não fôssemos dois
cinzas e pedras
nós viemos ao chão
não haviam asas
ou vento
de onde viemos
precisávamos ir
a tantos lugares diferentes
caminhar é impossível
com tantos destinos
a erro
a esmo
sempre mais do mesmo
nós dissemos adeus
em línguas diferentes
a prova da despedida
é a mão que se estende em desespero
o abraço desmorona
a recusa em exergar
é o reflexo da demora
da dor em precisar ir
quando o maior delírio
é desejar querer ficar
pelas suas costas
um resquício vaidoso
do que se costumava ver
deve ter sido
deveria ter havido
aquela certeza
a proeza em continuar
mas então há a memória
de que história alguma
sobrevive de heróis
não haveria o que salvar
enquanto não fôssemos dois
cinzas e pedras
nós viemos ao chão
não haviam asas
ou vento
de onde viemos
precisávamos ir
a tantos lugares diferentes
caminhar é impossível
com tantos destinos
a erro
a esmo
sempre mais do mesmo
nós dissemos adeus
em línguas diferentes
a prova da despedida
é a mão que se estende em desespero
o abraço desmorona
a recusa em exergar
é o reflexo da demora
da dor em precisar ir
quando o maior delírio
é desejar querer ficar
Visita
o amor é uma velha morada
adentrar em silêncio
não é possível
logo à porta
há um assoalho solto
rangendo, incessante
aos pés que lhe pisam
na calada da noite
não se toma um coração
sem antes um susto
o barulho que corta o sono
há logo atrás da porta uma tábua solta
a espera da próxima visita
inadvertida, imprevisível
não se vive um amor sem surpresa
surpresa malfeita
estupefata
despenca no chão
Tropeça e se sabe trôpega
o amor não começa
atropela
de um salto
faz da graça uma corrida no peito
o peito que chama rouco um nome
o amor não tem voz
mas canta a cada esquina
as glórias de ser assim
roubado
artista
atroz
o amor é uma casa nova
e a tábua solta
escondida sob o tapete
ainda em vigília espera
quem há de chegar
não é difícil amar
não se bate à porta em silêncio
é preciso chamar
adentrar em silêncio
não é possível
logo à porta
há um assoalho solto
rangendo, incessante
aos pés que lhe pisam
na calada da noite
não se toma um coração
sem antes um susto
o barulho que corta o sono
há logo atrás da porta uma tábua solta
a espera da próxima visita
inadvertida, imprevisível
não se vive um amor sem surpresa
surpresa malfeita
estupefata
despenca no chão
Tropeça e se sabe trôpega
o amor não começa
atropela
de um salto
faz da graça uma corrida no peito
o peito que chama rouco um nome
o amor não tem voz
mas canta a cada esquina
as glórias de ser assim
roubado
artista
atroz
o amor é uma casa nova
e a tábua solta
escondida sob o tapete
ainda em vigília espera
quem há de chegar
não é difícil amar
não se bate à porta em silêncio
é preciso chamar
Luz
o amor foi verdade
direto como uma adaga
cru como o adeus
o amor foi perda
a minha
a sua
eu nunca pediria
por alguém além de mim
a sua voz sempre foi aviso
os meus olhos sempre foram espera
configuramos, juntos
o infinito em ser só
não há paredes nessa casa
que sustentem as portas fechadas
sonhamos
e no alento desse sonho
nossas mãos não se encontravam
nossos rostos lado a lado
eram mímica
eram sombra
lado a lado
anos atrás
nós nunca deixamos de ir embora
direto como uma adaga
cru como o adeus
o amor foi perda
a minha
a sua
eu nunca pediria
por alguém além de mim
a sua voz sempre foi aviso
os meus olhos sempre foram espera
configuramos, juntos
o infinito em ser só
não há paredes nessa casa
que sustentem as portas fechadas
sonhamos
e no alento desse sonho
nossas mãos não se encontravam
nossos rostos lado a lado
eram mímica
eram sombra
lado a lado
anos atrás
nós nunca deixamos de ir embora
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