o amor é uma velha morada
adentrar em silêncio
não é possível
logo à porta
há um assoalho solto
rangendo, incessante
aos pés que lhe pisam
na calada da noite
não se toma um coração
sem antes um susto
o barulho que corta o sono
há logo atrás da porta uma tábua solta
a espera da próxima visita
inadvertida, imprevisível
não se vive um amor sem surpresa
surpresa malfeita
estupefata
despenca no chão
Tropeça e se sabe trôpega
o amor não começa
atropela
de um salto
faz da graça uma corrida no peito
o peito que chama rouco um nome
o amor não tem voz
mas canta a cada esquina
as glórias de ser assim
roubado
artista
atroz
o amor é uma casa nova
e a tábua solta
escondida sob o tapete
ainda em vigília espera
quem há de chegar
não é difícil amar
não se bate à porta em silêncio
é preciso chamar
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