“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

de sobreviver

Costumava ser uma tentativa de lembrança. Costumava ser abrigo.
Hoje parece ser em vão. Como ridiculamente tentar escapar do ridículo. Como a estupidez na pressa.
Foi um dia a tradução da inconsequência resguardada, do desvario consciente - da juventude madrugada. Hoje é cansaço, é hora de ir pra casa. Hora de vasculhar os cantos do quarto, de notar a poeira. De perceber a ausência. É agora, evidente toda falha e desperdício, que se procura um lugar pra sentar - e esperar.
A casa ainda resiste, mas a morada enfraquece, esfria, encolhe.
O ar vazio da aceitação, o olhar fundo e resignado - crente no amanhã. Doente.
Talvez seja essa a hora de reunir forças. Talvez seja hora de se dar por vencido. De perder e deixar se perder - de acreditar que é possível esquecer.

"Light up, light up, as if you had a choice."

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

veja só o que restou
resga de nada
café amargo
papel manchado

digo que não
não posso
não é hora
não sei

os conselhos
quantos conselhos
os enjoos
a realidade
quantas manhãs

as ondas
a ressaca de todos os dias
o silêncio que escurece a casa

caminho, caminho
não há outro lado.