“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

domingo, 7 de dezembro de 2014

Prece

não sei contar histórias
mas pedi ao vento
que me trouxesse de volta
ainda que ao pedaços
alguns se perderam
quando resolvi partir

não sei navegar
seguir constelações
traçar os sentidos
mas pedi pra ser parte do céu
ainda que não dominasse
a linguagem do infinito
quando decidi crer

não sei esquecer
rever o tempo sem medo
mas pedi que pudesse voltar
ainda pobre de motivo
memória
e perdão

sei que é preciso adentrar
essa morada remota
em que acredito em demasia
devaneio
desmedida

não precisei pedir por fé