“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

fábula

era paz o abrigo
de quem não espera muito
era doce o pedido
de quem não vai a lugar algum

bastava ter certeza
bastava estar ali
 hoje é cansaço o silêncio

e como custa descobrir a ausência
como custa descobrir-se passado

não há pedido
tampouco espera

passou a hora
o choro
o medo

mentira é contar pra si
sobre o que nunca foi

chove
e o abrigo era nuvem

sacada

[não existe muito]

pensei ter perdido
um parte qualquer
sem saber
que sentir falta
não termina

pensei ser tão cedo
era tão claro
havia tanto tempo

[não resta muito]
o caminho de volta lembra
as noites mais escuras
os rostos mais difusos
e ainda aquela voz
que dizia tanto
que dizia sempre

[não dura muito]
chega o abraço
daquilo que calou
e precisa voltar

não há grito
não há medo
não há fim

[não espere muito]

"você sempre esteve só"