“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

sexta-feira, 21 de março de 2025

Líquido

E pensar que

O que eu mais gostava

Era seu olhar


Repare

Não disse seus olhos

Mas o olhar

Ou seus ouvidos

Mas sua escuta

O tempo todo era eu


Você saiu de mim 

Sem nunca de verdade entrar

Você nunca foi

Tão água assim


E pensar que

Ver um oceano 

Onde não há 

É naufragar

Apesar de 

Não ter tanta prática 

Aprendi muito cedo a nadar

O tempo todo era eu


No fim

Estava certa

Águas rasas

Não servem pra muita coisa


Talvez

Eu não nade

Tão mal assim


quarta-feira, 12 de março de 2025

túmulo

 é irônico 

você decidiu ir

quando voltei aonde

não tinha restado nada

 e ninguém mais estava

 

não sobrou rosto

ou pedra

é como se a cidade inteira

voltasse ao pó

 

 as pessoas são outras

e foram viver

em outro lugar

estar só é um momento

que cai como chuva fina

no dia que não se tem 

onde esperar

nada passar

 

eu andei por essas ruas

e é como se eu 

ou você

nunca tivessemos existido

 

na verdade

nunca existimos

é como se você não tivesse um lugar

passado, presente ou futuro

na verdade

você se comporta

como se não fosse nada

 

talvez você não seja

coisa alguma

e não tenha restado nada

 

não quero ser rude

mas me entristece

que essa cidade

e você

eram vivos

e hoje são como

sepulcro

e memórias perdidas

histórias esquecidas

 

você não é inesquecível

 e eu não sei

o que faço aqui

 

na verdade não existe

caminho de volta

dói 

mas na vida

não se pode voltar

só existem pequenos bilhetes

em bolsos antigos

que te fazem lembrar

e se você tiver sorte 

sorrir

 

meu Deus

como é que se pode 

não ver nada

nesse mesmo lugar

é como se tudo tivesse sumido

consumido 

no que eu não soube olhar

 

talvez se eu soubesse lembrar

 saberia

como eu vim parar aqui 

 

é como se eu já soubesse

e jamais pudesse

imaginar

 

universo

 não é porque não te vejo mais

que estou de outro jeito

 

as coisas bonitas que vi

em você

são minhas

ainda moram aqui

os meus olhos

são parte de mim

mesmo que um dia tenham

se demorado em você

 

então talvez eu nunca tenha

visto o que há 

de verdade

em você

 

 você não fez o dia nascer

tampouco o sol se por

as luzes continuam acesas

como alguém que me ama

sempre lembra

eu sou o sol

 e todo um universo

que ressoa 

feliz

 

 

as coisas passam

e a minha raiz

está plantada

crescente

olhando pro céu

se afundando na terra

sentindo a chuva

a minha alma é lavada

à noite

quando eu falo sozinha

 

o que se vê

na verdade

é o que se 

se tem

terça-feira, 11 de março de 2025

Alcancei o tamanho da paz e posso entregar o que é puro, manso, tenro, sereno.

Como uma casa há pouco arrumada, limpa. Pode- se entrar e sair, sem que se nada se altere. Mesmo que ela tenha te causado a melhor das impressões. Mesmo que seus calçados estejam sujos, mesmo que te falte coragem de entrar.

 

A casa não é sua. Essa casa foi feita por mim, a mãos que se fecharam, se torceram, se uniram. 

Essas paredes desmoronaram mais vezes que posso contar. A estrutura refeita, remoldada, mas a terra é minha e por isso, sou incansável. Muito- talvez tudo- me faltava e eu precisava aprender a morar, a salvar uma vida, ou mais.


Uma casa não pode se erguer, se abrir, se antes não for sagrada. E a casa que chamo de minha, abriga o espírito e a essência de todas as coisas. E o sagrado não se abate, portanto, eu vivo de essências imbatíveis, independente de todas coisas.

O sagrado é manso e humilde e não consegue sozinho, mas é de uma força maior. Força essa que anda, descansa, resplandece, anoitece e amanhece por si só. Eu a conheço de uma forma, forma essa que habita meu lar. 

Por isso, no íntimo, essa casa é humilde. A quem for bem-vindo, oferece o cuidado que frutificar. No mais, tem uma fé própria e olha além dos calçados sujos e mentes confusas, pede que esses sejam deixados à porta. A soleira demanda coragem, na entrada um espelho reflete você. Só quem estiver disposto a aprender o caminho consegue chegar.


Por isso que aqui me refaço com todas as coisas e nada fica sujo ou fora do lugar. Algumas coisas quebram e nem sempre tudo se pode remendar. Algumas coisas precisam acabar. Por que eu me lembrei, mesmo com mãos cansadas, de fazer portas e trancas, que fechem bem o que precisa ficar.

Veja, o problema não são seus calçados ou suas coisas fora do lugar, nada disso importa aqui. A casa quer é coragem, segredo, saber o que é sagrado e o que pulsa dentro de você.  Eu vejo quem chega, quem se perde no caminho, quem não vê beleza aqui, quem não quer ficar, e quando basta fecho as portas, com chaves de aço, prata, ouro, terra, ferro, fogo, o que houver - nas minhas mãos, repare quantas coisas carrego nas mãos.  E a casa uma vez trancada, permanece do mesmo jeito.  

Entreguei algo com esmero e gentileza, e você não pôde ficar. Isso não muda a verdade ou o que aqui está. Essa casa habita em mim e precisa continuar. O que mora aqui é o que existe para dar. A porta se fecha em zelo, em tempo de resguardar. 

 

 

 

 "A alegria, como eu lhe chamo, é parte do minúsculo do imprevisível. Um pequeno martelo de luz golpeando o bronze do real. Eu sei, no momento em que parece que a vida está em paz, que tudo está apenas esperando. Está em suspenso, prestes a se transformar. A alegria não é calma, é um golpe, e o momento da paz é a espera do que vai acontecer. Esse golpe de luz atinge o real e o transforma em outra coisa. Nada mais é o mesmo."

 Shakti. It means power, strength, courage. 

 

It means something far deeper - Goddess Consciousness itself. 

 

The silenced feminine and the untamed Goddess will merge. I'll do it my way. 

Shakti

 To love a wild feminine isnt for the faint hearted. 


The world murmurs about the divine feminine - soft, gentle, healing. 

But I am in awe of the wild feminine. The one who doesnt just soothe you - doesnt just love you.

 

She unveils you. Se undresses your soul. She ruins you for anything ordinary and lukewarm...

The wild feminine is a storm dressed in soft red silk. She is a prayer of the full moon. 

 

You cannot tame her.

You cannot own her.

She will not shrink for your comfort. 

 

Do not step closer if you fear thunderstorms. Do not enter her ocean if you only want shallow waters, 

Do not call her too much whe she was never meant to be less. 

 

You already knew what she was. You just thought she would soften for you. 

She wont.

 

She is the ache you will never forget. 

She is the kiss that rewrites your destiny.

She is the mantra you hear in the meditation. 

She is the ice melting on your spine in the heat of the summer. 

Once you taste her, nothing after will ever taste the same. 

 

The wild feminine doesnt chase. She attracts. 

She doesnt beg. She invokes.

She is an initiation, not a convenience. 

 

To love a wild feminine is not for the faint-hearted. 

 

It will crack you open.

It will dismantle you. 

It will strip away everything you false. 

 

To love a wild feminine is to enter a sacred rebellion. 

A love. A meditation, A death. A rebirth.

 

If you find her, 

dont analyze her. 

 

Honor her.

Hold her.

Stand beside her. 

 

Or walk away. 

 

Because only a rooted masculine, unafraid to meet the divine in the eyes of the feminine, can truly show up for the Wild Feminine. 

 

The Wild Feminine is a paradox. 

 

She isnt meant to be analyzed. 

She isnt meant to be dissected. 

 

She is meant to be felt. 

To be revered.

To be worshiped - not in temples, but in the very breath of existence. 

 

Because the wild feminine is not just a woman

 

She is the mountain in cannot not conquer.

She is the ocean that refuses to be owned.

She is the storm that answers to no one. 

 

She is everywhere. 

 

In the fire in your lover's eyes.

In the stillness before the monsoon. 

In the scent of earth after the first rain. 

 

The wild feminine does not need to be found.

 

She never left.

She is waiting for those who can witness her, hold her, meet her. 

 

And if you cannot, she will pass through you like a dream you will never touch again.

segunda-feira, 3 de março de 2025

eternidade

 comecei a ler textos antigos

escrevi tanto

que não tive tempo 

de terminar

 

mas a verdade 

é que só escrevo

quando me sinto só 

 

o problema 

é que 

eu poderia escrever 

pra sempre

 

pulmão

você está de joelhos

no meio da noite

dizendo uma prece

e ouvindo uma voz

 

preciso de te contar um segredo

você não tem escolha

sei como você se sente

você não está caindo

não peça ajuda

comece a rezar

 

aquele lugar que você sonha

não existe

a não ser que você ande até lá

ninguém vai chamar seu nome

até que você diga qual é

 levanta e anda

com seu próprio rito

sua própria fé

 

peça ajuda 

aos próprios sonhos

faça uma prece

a quem já não está mais aqui 

 

se quebre em mil pedaços 

até que você entenda

o segredo

 

esse homem não existe

por que nenhum deles

é bom assim 

o que você vê 

são seus olhos na água

 

mergulha

e aprende a nadar

quebra o vidro do espelho

e reflete a sua força

por pior que seja

naufragar

é habitar 

as profundezas de si 

 

você pode ser 

história

ferrugem

perdida no mar

mas continua a respirar

 

quem sabe nadar 

está na superfície

só habita oceano

quem se deixa afogar

alicerce

 sabe aquele tempo

em que se pode ter lar

simplesmente estar

eu nunca morei lá

 

é como se me faltasse 

uma parte que constrói

todas as outras 


não sei se tenho chances

de estar perto de casa

se nunca sei o caminho

 

também não quero precisar

de uma mão junto a minha

por mais doce que seja

caminhar ao seu lado

me faz esquecer de andar

 

sinto raiva 

das minhas pernas bambas

como pode alguém crescer tanto

e a essa hora

querer andar sem ninguém

 

pois veja

falava de dar as mãos

e acabei lembrando das pernas

como sempre

atropelada

 

torre

 dê as coisas 

a importância que tem

 que conseguem deter

 

não falo de pessoas

homens

muito menos

raros nos despertam

algum tipo de força

diferente da que fazemos

todos os dias

 

o que eu quero dizer

é que como o sol

você deve nascer e se por

sozinha

todos os dias

até que 

por força maior

 atraso 

coincidência

ou maldição 

desperte atrasada

 

você sabe andar só

sorria

enquanto aprende 

que andar junto

é se atrasar

as vezes você tem pressa demais

e uma parte boa da vida

acontece devagar

eu sei que o ritmo é uma mulher

mas esse corpo vai precisar de um espaço

talvez com tempo

alguém consiga ocupar

 

eu não te digo vá devagar

já aprendi a lição

eu te digo vá

e não pare

corra 

e dance a noite toda

até que possa descansar seus pés

tirar os sapatos

e deitar

ao lado de quem não se assuste

e não deixe de arder

 

você vai continuar sendo 

essa força da natureza

trovão 

silêncio

nascer do sol

mas você aprende

a aquietar

aquele cheiro de chuva

o arco-íris de quem faz as pazes

e acorda melhor no dia seguinte

 

esqueci o principal

não se importe demais

com as coisas que passam

você acordou de muitas noites ruins

pra ficar sem dormir

acorda

e sobe as escadas

talvez alguém tenha força

e te encontre 

na torre que é 

ser você

 

mas não se esqueça

não suba tanto

não suba tão só 

que ninguém possa alcançar

aquela brecha

é só pra quem a encontrar

por isso esse lembrete

desmorone

mas não ceda

 saiba quando parar

 

entregue um tanto de si

como quem trava uma guerra

somente deixe levarem de ti 

a parte que couber

cuide que seja justa qualquer trégua

sem perder ou ganhar

até que haja paz 


seja eterna

minta

seja sua

dê a tudo e todos

a importância

de vir depois