Alcancei o tamanho da paz e posso entregar o que é puro, manso, tenro, sereno.
Como uma casa há pouco arrumada, limpa. Pode- se entrar e sair, sem que se nada se altere. Mesmo que ela tenha te causado a melhor das impressões. Mesmo que seus calçados estejam sujos, mesmo que te falte coragem de entrar.
A casa não é sua. Essa casa foi feita por mim, a mãos que se fecharam, se torceram, se uniram.
Essas paredes desmoronaram mais vezes que posso contar. A estrutura refeita, remoldada, mas a terra é minha e por isso, sou incansável. Muito- talvez tudo- me faltava e eu precisava aprender a morar, a salvar uma vida, ou mais.
Uma casa não pode se erguer, se abrir, se antes não for sagrada. E a casa que chamo de minha, abriga o espírito e a essência de todas as coisas. E o sagrado não se abate, portanto, eu vivo de essências imbatíveis, independente de todas coisas.
O sagrado é manso e humilde e não consegue sozinho, mas é de uma força maior. Força essa que anda, descansa, resplandece, anoitece e amanhece por si só. Eu a conheço de uma forma, forma essa que habita meu lar.
Por isso, no íntimo, essa casa é humilde. A quem for bem-vindo, oferece o cuidado que frutificar. No mais, tem uma fé própria e olha além dos calçados sujos e mentes confusas, pede que esses sejam deixados à porta. A soleira demanda coragem, na entrada um espelho reflete você. Só quem estiver disposto a aprender o caminho consegue chegar.
Por isso que aqui me refaço com todas as coisas e nada fica sujo ou fora do lugar. Algumas coisas quebram e nem sempre tudo se pode remendar. Algumas coisas precisam acabar. Por que eu me lembrei, mesmo com mãos cansadas, de fazer portas e trancas, que fechem bem o que precisa ficar.
Veja, o problema não são seus calçados ou suas coisas fora do lugar, nada disso importa aqui. A casa quer é coragem, segredo, saber o que é sagrado e o que pulsa dentro de você. Eu vejo quem chega, quem se perde no caminho, quem não vê beleza aqui, quem não quer ficar, e quando basta fecho as portas, com chaves de aço, prata, ouro, terra, ferro, fogo, o que houver - nas minhas mãos, repare quantas coisas carrego nas mãos. E a casa uma vez trancada, permanece do mesmo jeito.
Entreguei algo com esmero e gentileza, e você não pôde ficar. Isso não muda a verdade ou o que aqui está. Essa casa habita em mim e precisa continuar. O que mora aqui é o que existe para dar. A porta se fecha em zelo, em tempo de resguardar.
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