Nasci no dia errado
E a vida veio depois
Sucessiva
Desordenada
Se o que se prolonga
Tivesse acabado cedo
E o caos exato
Não durasse mais
Que qualquer verdade conhecida
Eu suportaria muito menos
Se os golpes fossem
Apenas vento
As portas não bateriam tão forte
E o escuro
Fosse somente a noite
Talvez eu estivesse mais longe
Mas nessa exatidão
Do que nunca acontece
O caminho é de pedra
E o breu é de ausência
Mais que muito
A única brisa
Embalando o caos
É uma prece sem fim
Desde o dia em que o erro
Falou primeiro
E o presente dado
Era o jeito
Teimoso
Com que a vida insistia
E dessa briga
Da mão espalmada forte
Queimando o rosto
(O mesmo rosto no mesmo corpo
deitado, úmido e nostálgico)
Dessa linha torta
Levando a lugar nenhum
Saí
E talvez até agora
A ideia de viver
Tenha passado distante
Mas a marca da mão
E das horas perdidas
Ainda habita o rosto
E apesar do horário
Não fazer nada além
De promessas
Esse nascer continua
E retorna
Ao começo
De todos os erros