Essa noite, ajoelho
e revivo
Ao padecer
Em tudo que em mim
Faz memória e morada
Morrem as histórias
E as lágrimas desmancham
A areia
Em castelos
Morrem os amores
E últimos suspiros
Como se fossem plurais....
Você, mais do que nunca
Sabe-se singular
Mas você também não está mais aqui
Como todo o resto
Enquanto me despeço
Como o apito da partida
E a assinatura da carta
Sei que estou morta
E fria
E peço perdão
Pelo esboço de mim
Impresso em você
Quis ser mais
Mas por excesso de zelo
Ou falta de permissão
Eu tive medo de queimar,
chover em cinzas
E repousar em seus ombros
Há muitos anos eu proibi o amor
Aos quatro ventos e todos os céus
Mas além da minha jura de nada
E dos primórdios do medo,
Você foi a hora e o óbvio
Depois de tudo,
O meu maior temor
Eu queimo em razão
E enorme pesar
Você me fez certa
E tão exata
Quando eu queria,
Concisa, desmoronar
Entenda,
Quando você se despediu
Levou as chances e o sol
Deixou a razão,
A minha lógica
Em continuar só,
Inteira e inerte
Você precisa saber que não sabe
O quanto dói
O quanto eu queria estender as mãos
E revelar o tanto que ergui
A vista que eu vi
Depois de caminhar
Até a pura exaustão
Você foi a vista,
O nado e o fôlego
E eu pude descansar
Eu diria do abraço
E da promessa a me salvar
Mas você acordou
E em desgraça,
Em segredo eu sabia
Ninguém poderia ficar
Nas estrelas havia um espaço
Inúteis os desejos e preces
Ali, só, eu iria morar
Eu te daria as mãos
Mas sei que por força ou acaso
Eu teria de seguir sozinha
E por mim,
Iria sem essa parte nula
Que é o todo do grito
Da falta
De pertencer só
Contudo,
Você é razão
Instinto insano, cruel.
Você é o perdão,
A ausência do ódio
E de qualquer condição.
Eu acredito em você
E em tudo que ficou,
Como uma casa que herda
As memórias e a tristeza,
Como o céu que abriga os desejos
E a saudade
Você nunca ficaria
Pelo pedido que eu não faço
E pela sua confusão.
De joelhos,
Mundo abaixo,
Certeza sem rumo,
Aposta sem êxito,
Prece sem ânimo.
Tive razão e abdico
Do que mais vier
Nada permanece
Por culpa ou carma
Você foi tudo o que se perde
Quando não há mais nada
Toda a minha história era segredo
E sepulcro
Por mais que eu quisesse
O amanhã chegaria
E eu sabia da hora da despedida
De todos os tempos e terras
Guirlandas de adeus
Você floresceu
Único gravado em pedra
Fica o caminho
Longo como sempre,
Do seu amor velado
Escondido em mim.
Distância exata,
Previsão descarada
Eu sabia da ida,
Mas não da demora.
Sabia que seguiria só
Mas você habita a estrada.
Ao maior encontro
A menor despedida
Desgosto, receio
Infinita gratidão
Eu sabia do fim e do meu talento
Em prever a partida e seguir a esmo
A maior prova
Do que espera além
É o amargor que não cessa
Tudo resume você
Que sempre teria de ir
Eu só sei dizer adeus
E, ainda assim
Começaria