Eu juro que queria escrever sobre outra coisa. Sobre o cansaço, a vontade de parar, sobre quanto tempo passou. Meu maior desejo é conseguir falar sobre tudo que passou. Sobre o que eu escrevo e os lugares novos que descobri, sobre os meus livros e pensamentos de segundo que pouco a pouco me transformam.
Mas a verdade é que escrever sobre coisas novas as torna reais, assustadoramente reais. Não conheço essa realidade chuvosa, essa nostalgia. Escrever sobre a mudança a tornaria natural e aceitar essa nova realidade como algo meu custa, custa muito. Dividir espaço com alguém dentro de mim resume o caos cego que passei a habitar.
Adoraria dizer que estou em contagem regressiva, no processo final de algo, mas eu ainda - ainda! - me questiono sobre cada passo além desse lugar. Penso duas vezes antes de pedir pra esquecer, simplesmente por ser inacreditável lembrar de tudo em vão.
Desde que comecei a escrever, sinto que falo demais de amor. Mais uma vez, eu sei que amor nunca é demais. O problema sempre foi que quis falar de tudo....adivinha quem estava lá, em tudo?
O problema é que eu talvez nunca tenha falado de um amor que fosse meu, talvez por nunca ter vivido algo de verdade meu. Esperei por algo que me acompanhasse - nada parecia conseguir - e ganhei uma nova sombra, logo eu. Logo eu que queria escrever sobre outra coisa.
A verdade é que não é possível fazer outra coisa enquanto se espera, além de esperar. Por algo velho, algo novo, algo que faça esquecer o pretexto da espera. Algo além desse nada em cada linha sem graça do meu medo de esquecer, do nada espalhado por cada canto são em mim.
"I crouch like a crow
Contrasting the snow
For the agony, I'd rather know
'Cause blinded I am blindsided
Peek in... into the peer in
I'm not really like this... I'm probably plightless
I cup the window
I'm crippled and slow
For the agony
I'd rather know
'Cause blinded I am blindsided"
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