eu sou o eco
não da dor
mas do momento que dói
como um espelho que se quebra
em mil reflexos cortantes
tornei-me o vento
da estação passada
que já não sopra
que já não é
e carrego tesouros humildes
que varri comigo
enquanto tudo passava
há espaço demais
dia após dia
mais e mais cheio
tudo se dissipa
e nada termina
nada que se consiga olhar
eu não sei parar
sou a luz
e a sombra
a incidir em todos os lugares
toco tudo que vejo
pra em lugar nenhum estar
serei o exílio
de mim e da nova ordem
instaurada em silêncio
marcada pela prece
rogada e doente
eu sou a peste
houve o tempo em que nada durava
mas hoje só vivo
enquanto insisto em perecer
a morte não é mistério
é nada além de atirar
tudo o que se é
e se lembra
e que resta
e respira
ao precipício
até que não haja
ser,
história,
ar
ou abismo
sou mais que a ausência
além do nada
o vazio é a nascente
mas sou o que não nasce
e tampouco sente
assisto ao batismo
do que não se nomeia
água que lava em tempo
criação incompleta
obra do destino
alinhada ao acaso
cortada em pedaços
eu sou o caos
e falha-me a visão
o que eu vejo já não mais o é
nada pode ser visto
os olhos são cegos
refletem a chama do tempo
o segundo
em que tudo deixa de ser
chamo de amor
o que os olhos pensam ver
o que insiste em sumir
Eu fui o amor
e nada mais poderia
me afastar
Deixo essa eterna prisão
terminantemente livre
em nenhum dos lares construídos
eu poderia morar
sou o telhado que cede
e os escombros pelo chão
parede nenhuma resiste
ao que insisto em pregar
" My slavery is over; I have escaped my fetters, and what I bore
without shame, it now shames me to have borne at all. I've won the
day; Love is vanquished. I trample it beneath my feet. True, I've been a
long time plucking up courage. Fight on, my soul, and faint not. It
is a wrench, indeed, but some day you'll be glad you bore this present
pain."
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