“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

domingo, 13 de agosto de 2017

Não vem

Numa cadeira de balanço
A tarde passa
E você ainda fala

Alguma música antiga
Lembra
Não poder esperar

O Silêncio certeiro
A pontaria grosseira
Um dia que nunca chega
Um retrato de nós dois

O mesmo encanto
Do que teima
E não dissipa
A mesma manhã mal dormida
Em recomeçar

O cansaço na pele
A ânsia nos olhos
Orbitando o amargor
De quem deixa de aguardar

Correntes

Nem tudo floresce
Paciência

Nomear o que continua
No sono
Na tarde calma
E esfria como o vento
É inútil como o futuro

Alguns amores
Não inspiram
E algumas portas não fecham
De tantos os defeitos
O mundo segue
E os corpos padecem
Outras coisas morrem

Paciência

Flutuar

E então estou só
Em todos os mundos
De não pertencer
Nem às escolhas feitas
Nem ao que se nega
Ou se busca no desespero
Do próprio caminhar

O meu querer é sem medo
E não é páreo
A minha alma não oscila
Entre o que fica
Estou só
E sempre
Indo

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Lugar nenhum

As minhas ilusões
Nunca foram verdade
Ou se tornaram outra coisa
Além do que me guiava
Pra longe daqui

Querer ficar não basta
E o que espera
Pelo meio do caminho
É o mesmo e velho pavor
Parado na estrada

Nesse vendaval
Assombrando cada passo
Uma voz dispara
E eu nunca soube nada
Além de viver em qualquer lugar

E o céu que escurece
Também diz
Do que eu não sei
E do que vem
Como se eu pudesse esperar

A minha ideia
Não é real
A minha tristeza
é a pedra no chão
E não impede o caminho
O medo colide contra as estrelas
O meu céu sempre cai

domingo, 6 de agosto de 2017

A promessa

sinto em mim
a extensão do que sobreviveu
algum lado bom
do que já se partiu

esse lugar que pede por tempo
e chora pelo espaço
que já não ocupa
e lamenta esperar

esperei por uma vez
em que tudo se encontrasse
e as raízes do que resiste
na terra em que eu caminho
respirariam
no mesmo mundo
que tornaria a viver

sempre fui a promessa
quebrada
eterna
teimosa
eu sempre morri de saudade

nunca esqueci
aonde mora a alma
dessa memória intacta
o motivo de esperar
 ou o laço entre a verdade
o abraço
e o caminho de volta



sábado, 5 de agosto de 2017

Manhã

por que é que asas batem no céu
e os mesmos corpos ocupam o chão

e perco a força
tão bruta e minha
tratando de desaparecer

e se eu jogasse fora
todo esse caos
sumiriam os meus erros
e a minha voz

e se tudo não passou
de um sonho
talvez eu não saiba acordar

e as noites se repetem
até que já tenham sido escritas
todas as ideias tolas
vagando pelo meu vazio

até que esqueça os motivos
ou o cansaço vença
faltam escolhas
e sonhos

mas o fim dispara
sereno e pontual
asas, céus e infernos
e o corpo a acordar