“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

sábado, 25 de agosto de 2012

Conta

Nem sempre contamos os fatos, quase nunca lidamos com o que conhecemos. Na maioria das vezes, estamos de passagem - mais do que gostaríamos, estamos a passeio. De única a certeza que nos une falamos no plural. Tamanho o espaço entre nós, a busca é eterna.
Contamos - tempo, distâncias, notícias, histórias, uns com os outros. Das tantas somas, de pouco damos conta. Mesuramos porque o infinito aflige. Porque a grandeza do que perdemos dói e precisamos fazer ideia. 
Do limite entre nós e as lembranças. Do que cabe entre o passado e o que trouxemos conosco. De quanto dura uma vida. De como o perdão é leve. Do quanto pesa a ausência. Do quanto as quedas são bruscas. De quanto falta. Quanto se perde ao esquecer. Quanto se ganha ao caminhar. De quanto custa se entregar. 


domingo, 12 de agosto de 2012

É hora do medo ir. Sair das memórias, da beira das quedas, dos pesadelos. Hora de se provar maior e continuar. De consertar as emoções traiçoeiras, o silêncio da surpresa - de dizer. E repetir.
É preciso saber aonde se está, mesmo quando se desconhece o caminho. É preciso trilhar a jornada de novo.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

deriva

não há mais certeza
resta a pergunta pacífica
de se deixar viver

não se procura resposta
falta tempo e palavra

é a hora
da qual se fala
marcada na pele

são os muros
o teto
o chão
o medo
cedendo

é soma
curva
é par
e ímpar

um lugar que se cria
um espaço que se ganha
a presença que basta

a porta aberta
a espera cessou