“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Cura

Às margens do rio
Uma alma torpe
Diz adeus

Na ânsia do encontrar
A minha palavra se desfaz
Negra
Banhada em prata
Insolente
Calada

Escuto
O que implora
E a culpa dessa promessa
É minha
Se eu pudesse
Cada pedaço são
Seria algo dado
E todo outro eu
Seria algo que importa

Mas a minha voz
Sabe uma ciência
E quer falar de amor
Irremediável

Queria dizer
Melhor
Ser além
Desse mesmo antigo mal estar
Que iguala os rostos
E mata o corpo
Um dia de cada vez
De um poder pequeno
Vulgar
Tão cansado
De perecer