por anos
sussurrei no silêncio
no escuro das noites em claro
quando nada se movia
consolei cada parte de mim
acendi velas
que não iluminavam
quando o dia chegava
não havia história sendo contada
buscava poder
mas reinar sobre si
não depende da busca
depende de tomar um cálice de veneno
dia após dia
enquanto não se toma o poder
não há sabor mais amargo
que o tempo perdido
não há veneno mais letal
que a solidão dentro de si
quinta-feira, 9 de julho de 2015
asas
por maior que seja a cela
percebe-se o cárcere
o peso
em pertencer
algemas são óbvias
difíceis de camuflar
em verdadeiras prisões
a sanidade esvai
por entre as grades
alguns pássaros cantam
ainda em gaiolas
a alguns o mundo assusta menos
quando os limites se fazem precisos
a mim foram fechados os portões
e desde o princípio
os muros pareciam altos demais
já do lado de fora
tudo é maior que eu
e a vida não se faz em regras
não escapei
quando pertenci somente a mim
não foi preciso achar a chave
fogueira
meus olhos são escuros
tanto quanto o passado
a ausência é como a morte
nunca estive tão viva
a dor é como a mentira
não sinto alguma
a inércia é como sono
nunca me movi tanto
o lugar é novo
e reconheço cada canto
nunca estive perto
de um espelho tão perfeito
toda viagem precisa de um destino
quando não se sabe aonde ir
como quis abrir a porta
e perder a chave
hoje a casa está em chamas
acendi todos os fósforos
tanto quanto o passado
a ausência é como a morte
nunca estive tão viva
a dor é como a mentira
não sinto alguma
a inércia é como sono
nunca me movi tanto
o lugar é novo
e reconheço cada canto
nunca estive perto
de um espelho tão perfeito
toda viagem precisa de um destino
quando não se sabe aonde ir
como quis abrir a porta
e perder a chave
hoje a casa está em chamas
acendi todos os fósforos
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