“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

sábado, 30 de novembro de 2019

Mar e terra

Mesmo breve a sua ausência
repetirei em sonho, em paz

Eu preciso de você

Sem saber do mar, navego
Pra onde for
Nunca é longe
Não demoro

Até as ondas se põe 
A tragar a saudade
Como se soubessem:
Tudo lembra você 

Talvez eu não veja o raiar do dia
Ou naufrague na parte minha
Que insiste em eco
Vento, rocha
Seu nome no ar

Se a noite cessasse 
Tornaria a nadar
O caminho imerso
de volta
Você seria praia

Serei o corpo estendido na areia
Até que as ondas quebrem
E eu termine de esperar

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Visita

O amor é uma velha morada
não é possível adentrar em silêncio

logo à porta
O assoalho solto
range, incessante
passos e noites inteiras

não se toma um coração
sem antes um susto
barulho que corta o sono

não se vive um amor sem surpresa
surpresa malfeita dessas
Sai existindo
despenca no chão

Tropeça e se sabe trôpega
o amor não começa
de um salto
faz da graça uma corrida no peito
peito que chama, rouco, um nome

o amor não tem voz
ouve nas ruas
as glórias de ser assim
roubado
artista
atroz

uma casa nova
e essa tábua solta
escondida no tapete
sem remendo

fica perto da porta antiga
que nunca bate
como quem diz
chegada a hora
é preciso  chamar

domingo, 10 de novembro de 2019

Comum

Não há volta
Quem estava atrás
Seguiu em frente
Não há ninguém a sua volta

Qual é o caminho inverso
Ou talvez você quisesse
Seguir ao contrário

O gosto amargo
Da sua casa
Ter outro gosto
E é nébula
O que me revolve
Quando você não está

Um selo
Divide-se igual a morada
Mas quando não há
Ninguém
Deveria haver você

E não há ninguém
Aqui