“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

sábado, 17 de setembro de 2011

sol[idão]

Nasci ao oeste, ao contrário.
Acalmo e tento de novo.
Forma nova nasce das antigas,
Como se o cansaço não bastasse
e o amor nascesse de novo
Ao leste,
Obstinado a estar presente.

Como o dia independe da noite
E cada adeus subestima o retorno.
Dou-me como desafio
a uma luta tão pacífica,
que quase não faz sentido
que por pouco recusa abrigo.
Uma luta tão infantil
que vive lutando comigo.

Perco-me no sonho,
choro preso no peito.
Mas o caminho não se perdeu,
vive dentro de mim uma parte tão só
que é mais forte do que eu.

Vejo o começo explodindo num segundo
numa alegria incabível,
inacabável,
Reinando sobre qualquer coroa
Ruindo a qualquer hora,
Como quem espera despertar
cultivando força que suporte desfecho.

O Leste, tão longe
diz as horas.
Sou agora parte,
inteiro,
espaço, fim e recomeço.
Sou morada, repúdio e apreço.
Falta certeza, sobra amor.
Sou obra do óbvio,
Amanheço incompleta e serena
Imersa na eterna multidão.

Sou da saudade,
da causa
e da solidão.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

cor

atesto não haver
rica rima
que passe rente a nós

não há memória
que ateste a favor

amanhã
depois
e até
aonde você for

o dia será curto
a noite será calma
da mais fina angústia
da mais clássica apatia

repito
não há cor
de tom algum
que os olhos possam ver
não há noite
não há dia
nem sangue
não há chuva

é tão normal
frio
seco
invisível


How could I find someone like you when I don't even know who you are?
How can I search knowing that everlasting search brings only sadness?
How can I stop knowing that everslasting love is, in fact, everlasting effort?