sábado, 24 de novembro de 2012
VIII
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
sorte
ora prezo por ti como velho amigo
e por vezes ainda
tenho-te como o que basta
é como o princípio que explode
o futuro que tarda
e o presente que anseia
quero-te como história que conto
como canções decoradas
como uma vida que passa
por vezes desatinei
e vi a luz apagada
por vezes a magia extinguiu-se
e existiam somente as mãos dadas
entrego-me como quem cai
sorrio como se nada cortasse
por vezes encontro certeza
entendo como quem sempre confia
e amo como quem desafia o tempo
ou se faz dele aprendiz
espero como tudo passasse
como adulto que sopra a ferida
e das mudanças
tenho-te como âncora
as vezes levo-te como parte de mim
as vezes partes de mim
e levo-te como um outro ser que se adora
por vezes me perco e demoro
mas construo o caminho
tenho-te como o nascer do sol
e em saudade renasço
retrato
como pedra
descansarão no orvalho
do meu peito
um dia ou outro
minhas palavras jazerão
como túmulo velado
em minha mente
e se repetirão a esmo
viajarão pelo mundo
em busca de tradução
e de longas serão eternas
e de brandas serão marcas
serão dor
retardo
espaço
e solidão
e irão teimar como repúdio
e descreverão como retrato
a velha memória perdida
o rosto querido
o bater do relógio
e cada adeus sofrido
domingo, 11 de novembro de 2012
por amor
caminho até você
e te encontro no escuro
é pela dor de uma morte minha
e de um nascer teu
que desponta e desatina
todo antes e depois
e é assim que nas verdades
na correnteza do meu pesar
descubro em você
fonte de tudo que se bebe
e é por amor
e somente por tudo
o que se leva em seu breve
ou longo reinado
que por decreto te levo
por onde for
e carrego o que dói e não cura
fogo a arder em brasa
numa febre cheia
do não entender
de sim e não
um constante e cansado abraço
do amanhecer vencido
o que mais seria a luta
que travo com fé
e assisto sem enxergar
cuido em não falhar a vigília
em desconhecer limites
é seu o que entrego
e é você causa das quedas a maior
mas somente por essa forma
(a tornar o meu viver descuidado
tão simples e ausente de trégua
prestes a ir sem nunca acabar)
somente por esse querer
(tão pobre em seu molde
nunca precisa pedir
e de nada parece viver)
É que é eterna a força
a me levantar