“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

sábado, 24 de outubro de 2015

agora

se houvesse alívio
tentei ser mais doce
quis dar adeus
e na despedida entendo
o quanto preciso ir

sei da dor que desconheço
dos dias que perdi
mas deve existir
um jeito de falar de você
sem que palavras me traiam
sem que eu esqueça a razão
pela qual não posso esperar por sua voz
pela visão do seu rosto
pelo seu abraço

é típico de mim
esse adeus sem sentido
firme como quem briga
mas você foi diferente

nunca pude de verdade ficar
vi o último dia desde o primeiro
você sempre foi tão forte
e o único por quem desejei voltar
você sempre veio comigo
e eu não pude te levar

sei do silêncio que fica
e a sua ausência invade a casa
mas você nunca esteve aqui

sei do nosso adeus
eu nunca me despediria outra vez

sombra

enquanto leio o que não escrevi
pensei no seu rosto
na sua história
e em como você viveu
os mesmos dias
os mesmo amores

não houve tempo
não restou nada
eu sei, talvez não fosse o meu nome
o meu rosto
a minha vez

talvez aonde você vá
falte a memória
de um lugar que sorria
falte vencer
o pior inimigo
o pesadelo mais antigo
que nunca vem em sonho

perdoaria seus erros
os de ontem
aqueles que virão
até os que não conhecerei

mas devo ter dito mil vezes
enquanto amava os seus olhos
os meus erros são a morte
do perdão
do amor
de qualquer memória minha

estamos agora atados
como nunca planejamos
não pela estrada que sigo
mas por seguir só
e por seguir só
esse desespero permanece meu

lamentaria tempos e tempos
mas já não lamento
somente sigo
por ser seguir
um resquício de paz
e no horizonte distante
não sinto o que me segue
não enxergo o que deixei
por escolha
desgosto
ou desdém
para trás