algumas vidas sãos breves
jovens e extasiadas
como uma noite quente
que amanhece
outro dia eu disse adeus
e não sei o que quis dizer
da última vez
em que olhei seus olhos
eles olhavam de volta
e quase conseguiam esconder
um resquício de esperança
não é mistério
que você não se despeça
a noite rezo em silêncio
pelo que dói
pelo que foi
pela manhã desperto em vazio
como o café amargo
que revive o seu gosto
essa tarde estive
dentro do último abraço
e esculpi
como quem chora
uma última vez
em mármore
[jaz aqui o que em vida
não soube morrer
descansa aqui
a saudade mais fiel
em sono eterno
a sonhar o mesmo sonho]
dia desses a terra floresceu
e não pude crescer o jardim
mas quis manter um pedaço
da rima tão tola
e da parte mais alegre
que se fez em mim
depois de pedir perdão
a todas as cores
e pétalas
disse-lhes que não poderíamos ficar
e tampouco voltar
tão corajosa as retirei
do lar mais morno
que souberam conhecer
cá estou
bouquet de adeus
e arranjo de flores
que hoje deixo aqui
na lápide esculpida em cada vez
que sem aviso ou fração
o seu mundo foi meu também
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
ilha
essa noite sonhei com você
e é como se eu continuasse dormindo
durante o meu sono
a alegria se fazia
em ler suas palavras
Dizendo
exatamente o que faltava
o despertar jamais viria
eu preciso de uma queda
além do começo de nós dois
um começo que me sirva
algo que me leve
já não posso esperar
quando tudo que quero
é sentar
em uma velha cadeira
em uma velha casa
sem razão ou desperdício
quero mais tempo
pois se tempo houvesse
você chegaria
não
por mais que eu diga a mim mesma
já não posso ouvir nada
além do que ecoa em seus olhos
da angústia revelada em saudade
de impedir as minhas pernas
de caminharem até você
eu preciso parar
e reinventar
cada segundo
que você não habita
e como cansa
transformar você
em qualquer outra coisa
que não doa
e recriar qualquer parte minha
que chama o seu nome
peço por um fim
e minto descaradamente
eu só encontro começos
e conversas
intermináveis
como sempre
não terminadas
não tenho saída
e não me lembrava
de ter embarcado
até me perceber ilha
com você em todos os lados
como vento
que sopra
sem dissipar
essa névoa
que termina em você
e é como se eu continuasse dormindo
durante o meu sono
a alegria se fazia
em ler suas palavras
Dizendo
exatamente o que faltava
o despertar jamais viria
eu preciso de uma queda
além do começo de nós dois
um começo que me sirva
algo que me leve
já não posso esperar
quando tudo que quero
é sentar
em uma velha cadeira
em uma velha casa
sem razão ou desperdício
quero mais tempo
pois se tempo houvesse
você chegaria
não
por mais que eu diga a mim mesma
já não posso ouvir nada
além do que ecoa em seus olhos
da angústia revelada em saudade
de impedir as minhas pernas
de caminharem até você
eu preciso parar
e reinventar
cada segundo
que você não habita
e como cansa
transformar você
em qualquer outra coisa
que não doa
e recriar qualquer parte minha
que chama o seu nome
peço por um fim
e minto descaradamente
eu só encontro começos
e conversas
intermináveis
como sempre
não terminadas
não tenho saída
e não me lembrava
de ter embarcado
até me perceber ilha
com você em todos os lados
como vento
que sopra
sem dissipar
essa névoa
que termina em você
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