“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

In Memoriam

algumas vidas sãos breves
jovens e extasiadas
como uma noite quente
que amanhece

outro dia eu disse adeus
e não sei o que quis dizer

da última vez
em que olhei seus olhos
eles olhavam de volta
e quase conseguiam esconder
um resquício de esperança

não é mistério
que você não se despeça

a noite rezo em silêncio
pelo que dói
pelo que foi

pela manhã desperto em vazio
como o café amargo
que revive o seu gosto

essa tarde estive
 dentro do último abraço
e esculpi
como quem chora
uma última vez
em mármore

[jaz aqui o que em vida
não soube morrer
descansa aqui
a saudade mais fiel
em sono eterno
a sonhar o mesmo sonho]

dia desses a terra floresceu
e não pude crescer o jardim
mas quis manter um pedaço
da rima tão tola
e da parte mais alegre
que se fez em mim

depois de pedir perdão
a todas as cores
e pétalas
disse-lhes que não poderíamos ficar
e tampouco voltar
 tão corajosa as retirei
do lar mais morno
que souberam conhecer

cá estou
bouquet de adeus
e arranjo de flores
que hoje deixo aqui
na lápide esculpida em cada vez
que sem aviso ou fração
o seu mundo foi meu também

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