“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

ilha

essa noite sonhei com você
e é como se eu continuasse dormindo
durante o meu sono
a alegria se fazia
em ler suas palavras

Dizendo
exatamente o que faltava
o despertar jamais viria

eu preciso de uma queda
além do começo de nós dois
 um começo que me sirva
algo que me leve
já não posso esperar

quando tudo que quero
é sentar
em uma velha cadeira
em uma velha casa
sem razão ou desperdício
quero mais tempo
pois se tempo houvesse
você chegaria

não
por mais que eu diga a mim mesma
já não posso ouvir nada
além do que ecoa em seus olhos
 da angústia revelada em saudade
de impedir as minhas pernas
de caminharem até você

eu preciso parar
e reinventar
cada segundo
que você não habita
e como cansa
transformar você
em qualquer outra coisa
que não doa
e recriar qualquer parte minha
que chama o seu nome

peço por um fim
e minto descaradamente
eu só encontro começos
e conversas
intermináveis
como sempre
não terminadas

não tenho saída
e não me lembrava
de ter embarcado
até me perceber ilha
com você em todos os lados
como vento
que sopra
sem dissipar
essa névoa
que termina em você

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