“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

sábado, 27 de novembro de 2010


Podia fingir não saber, mas daria mais trabalho do que tentar engolir o pedaço de realidade grande demais que eu mordi.
Podia enterrar as memórias irritantes, mas continuo lembrando cada segundo quando quero me distrair. Quando lembro demais, escrevo, consciente de que não vou conseguir expressar a intensidade de um segundo sequer.
A partir daí, fica fácil me enganar. Sei tão bem aonde leva cada atalho que os sigo involuntariamente. Quando sinto ter atingido o limite, apago a luz, bato a porta e sigo para outro cômodo.
Alterno passionalmente entre sim e não e tenho dificuldade em acompanhar a mudança.
O que eu sinto olhando pra lugar nenhum é que há muito pra sentir e lugar nenhum pra isso.
Tento fugir, mas tranquei todas as portas.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

por favor

diz a verdade
sem razão ou futuro
sem remédio pro seu medo
diz agora
o tempo não bastou
se é pra ir
ou pra voltar
para o jogo
larga os dados
eu quero imaginar
diz no escuro
se for aliviar
eu quero seu erro
defeito e jeito
para de apontar
quero a sua coragem
até se for incomodar