“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quinta-feira, 2 de março de 2017

let go

continuo a me despedir
dia após dia
aceno em adeus
ainda
meus pés não se movem

os seus olhos já se foram
assim como a mulher
que os fitava
assim como alguém
que sentia
e podia respirar

continuo sem saber
aonde você está
se procuro por mim
ou por quem você achou

por alguém que restou
porque se não houve sombra
de amor ou desdém
se não resta a febre
ou uma gota de suor
 porque é que sem lembrar
(e por querer esquecer)
insisto em continuar?

a cicatriz se fez falsa
e meu pulso resiste
em eterna exaustão
como surdo
velho
cansado
e teimoso

tudo muda
e falho em desaparecer
como um vício
não contente em saciar

os meus gostos
amargam
porque se sabem
iguais aos seus
tudo que fui um dia
se quebra
em recusa a lembrar
que tudo lembra você

não existe caminho
as pernas plantadas ao chão
e os braços a acenar
são parte de um todo
que não é mais nada

não existe ir
não existe chance
ou lugar

teimo em partir
em destino
como quem tem escolha
e desapareço porque sei
 que não existe adeus
deixar ir
seria deixar-me ir
e já não [me] resta

é preciso carregar
com esses braços e pernas inúteis
o amor que se perdeu
o ódio que não se sente
e o eu que se desfez

se não há escolha
ou orgulho
ou memória
levarei comigo
o que não se solta
até que eu possa caminhar
o adeus nunca dito
até que eu não insista mais
em voltar


"You are the hole in my head
You are the space in my bed
You are the silence in between
What I thought and what I said

You are the night time fear
You are the morning when it's clear
When it's over, you're the start
You're my head and you're my heart


Would you leave me if I told you what I've done?
And would you leave me if I told you what I've become?
'Cause it's so easy to say it to a crowd
But it's so hard, my love, to say it to you alone"

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