continuo a me despedir
dia após dia
aceno em adeus
ainda
meus pés não se movem
os seus olhos já se foram
assim como a mulher
que os fitava
assim como alguém
que sentia
e podia respirar
continuo sem saber
aonde você está
se procuro por mim
ou por quem você achou
por alguém que restou
porque se não houve sombra
de amor ou desdém
se não resta a febre
ou uma gota de suor
porque é que sem lembrar
(e por querer esquecer)
insisto em continuar?
a cicatriz se fez falsa
e meu pulso resiste
em eterna exaustão
como surdo
velho
cansado
e teimoso
tudo muda
e falho em desaparecer
como um vício
não contente em saciar
os meus gostos
amargam
porque se sabem
iguais aos seus
tudo que fui um dia
se quebra
em recusa a lembrar
que tudo lembra você
não existe caminho
as pernas plantadas ao chão
e os braços a acenar
são parte de um todo
que não é mais nada
não existe ir
não existe chance
ou lugar
teimo em partir
em destino
como quem tem escolha
e desapareço porque sei
que não existe adeus
deixar ir
seria deixar-me ir
e já não [me] resta
é preciso carregar
com esses braços e pernas inúteis
o amor que se perdeu
o ódio que não se sente
e o eu que se desfez
se não há escolha
ou orgulho
ou memória
levarei comigo
o que não se solta
até que eu possa caminhar
o adeus nunca dito
até que eu não insista mais
em voltar
"You are the hole in my head
You are the space in my bed
You are the silence in between
What I thought and what I said
You are the night time fear
You are the morning when it's clear
When it's over, you're the start
You're my head and you're my heart
Would you leave me if I told you what I've done?
And would you leave me if I told you what I've become?
'Cause it's so easy to say it to a crowd
But it's so hard, my love, to say it to you alone"
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