“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

segunda-feira, 6 de março de 2017

Convite

Digo "meu amor"
não como quem a muitos chamou assim,
mas como nunca se ouviu
ou ouvirá a si mesma outra vez dizer.

A festa se encerra
ainda que a música toque
o que habita algum lugar do tempo.
Meu convite se perdeu.

Poderia pra sempre ficar
e sem saber,
nessa dança insana,
ouvindo a voz incessante
me implorando a valsar.
Ninguém mais saberia
ou jamais viveria assim.

É por isso, amor,
Que apesar de saber
e duvidar,
de tudo o que mente em mim,
não posso esperar
até que seus olhos me encontrem.

Poderia pra sempre encarar
os seus lábios
até que me peçam pra voltar.
É questão de tempo essa prece,
que com todo o cuidado se exprime,
proibida de espiar.

Com todas as vidas e cores
que vi em nossas mãos,
essa vívida dor
me faz longe de mim.

Ao meu amor, eu digo:
Você é verdade,
grande, tão grande,
dia após dia,
clama um pedaço como seu.
Mas a sua grandeza, pura e eterna,
não pode tomar, por força ou encanto,
o infinito que é meu.


"Nada mais aflitivo do que um rio seco e uma piscina vazia.
Nada que mais relembre a vida que se foi, do que esses dois esqueletos da água.
Olha bem para as coisas que deixaremos de ver para sempre.
Privilegiada semente que brilharás amanhã como fruto na árvore imediata." (Aníbal Machado)

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