“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

terça-feira, 18 de abril de 2017

corpo e alma

vão-se as palavras
ficam as marcas

pele
e pesadelo
é como se eu não acordasse
ou não vivesse

viver com essa alma
insana e intensa
é o pior dos meus pecados
não sei nada além da entrega
e do que se repete
como se não houvesse memória
ou erro
ou depois

viver dessa alma
que não sabe caminhar
e corre a minha frente
e abraça o meu corpo
quando ele mesmo se encolhe
de medo
diante a agonia
em viver solto
e tão junto de mim

eu não sei
o tamanho do passado
ou se um dia virei a ser
tudo que aconteceu
mas amanheço nova
e amarga

se a minha dor durasse
e eu pudesse ver
o tamanho do estrago
talvez eu vivesse menos
e pudesse chorar
pudesse enfim
ir algo além
mas a alma flutua
e entende
impera
e pela tempestade
dos meus raios
corpo, alma
e trovoadas
voamos sem tempo
sem culpa
sem lar

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