“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quarta-feira, 19 de abril de 2017

perdão

eu te amo
com toda a minha estupidez
e mania de dizer a verdade
a qual repito, tão óbvia que é
como a chaleira que apita no fogo
o armário bagunçado
como quem chega em casa no fim do dia

se o que me consome
é saudade
ou culpa
ou muito dos dois
pouco importa

agora tudo já foi
e nada descansa
ao meu lado eu vejo
a sua sombra
desde então não houve luz

eu tinha pulso
e a voz firme
de quem tinha aprendido
mas a lição era outra

eu tenho raiva de você
como que pra matar
o que ficou
mas a verdade é que eu te amo
com a mesma pressa de antes
e sem compasso algum

como se eu tivesse esquecido algo
 e não pudesse buscar
ainda que tivesse as chaves
não poderia mais entrar
e nada é maior que isso
na confusão de quem ficou

há uma parte minha
perdida por aí
que anda e sente
sem que eu não saiba
e nada mais faz sentido

eu sei que é adeus
e é tão simples
como o sol na janela aberta
e o café sob a mesa
como uma vida que passa rápido
e o emaranhado do tempo

perdão
é que eu te amo com a certeza
e o intuito
e com tudo que me é familiar
como quem espera um milagre
nesse caminho que não se perde
eu só sei continuar

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