“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Eterna

não é sobre ter de volta
algo que era meu
eu sempre fui perdida
e atrelada a essa busca
fadada ao acaso

não é sobre encontrar
o rumo
ou qualquer outra coisa banal
eu nunca tive direção
ou história certa

não há muito que me acalme
ou o que eu sinta que posso ter
qualquer lar seria fútil
e nunca conteria
a necessidade que sinto
em deixar
coisas
espaços
pessoas
e vazios

qualquer teto estaria
entre o meu olhar
e o céu que eu preciso ver
o pedaço de nunca
eu preciso ter essa febre
eu não sei pertencer

dizem que a luz se faz
com o tempo
e a reza
mas não há cura
para esse lado meu
que não segue
e não ouve
outros caminhos
senão o que cisma
em perseguir

eu preciso perder
preciso morrer
dessas paixões que me bastam
preciso não ter razão
mas eu teimo
e até hoje não houve
jogo justo
ou verdade barata
que me tirasse de mim

como se eu pedisse quente
e ganhasse morno
eu não quero calma
e tampouco entendo
quem parou no meio do caminho
do meu caminho
como se eu quisesse queimar
e virasse fumaça
eu preciso sumir
até restar somente
o que me tira a razão

a noite toda
sonhei que estava aos prantos
mas me deram coragem
e péssimas escolhas
entre todas as coisas
que perdi e fiz questão
tudo o que destruí
e escolhi suportar
está uma mulher
 que habita o íntimo de si
e vive a carregar o que quer

a soma dos amores
e das quantias
não me fizeram rica
as letras e os calos
me instigam a perguntar
percorro
os próximos
 passos
amores
países

eu carrego a mulher
dos meus sonhos
e carrego os sonhos
sob meus ombros

entre o medo de ser
 e querer muitas coisas
há uma mulher que teme
e veste o medo
mesmo aos pedaços
sai de si
e de tão inteira desponta
 outra vez
faz-se viva


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