“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Infância

As vezes resgato um amar
E peno num novo sofrer
E lembro tudo de novo
Quando o querer
Era sem consciência
Quando tudo era
O que parecia ser
Lembra do seu amor
Que me criou
Você me salvou
Quando não havia pressa
Você soluçava
Mas tudo era novo demais
Lembra das palavras
Que ensinaram o caminho
De volta pra casa
Ou pra longe de mim

Eu sei que fui ensinada 
a crer
Mas eu não vejo exatamente
Como é que acredito
Se já desisti
E peço perdão
De todo o credo e razão
Essa foi a última
E única
Que sobrevive
Esse adeus que vive em mim

Amor nenhum permanece
E essa talvez
Seja a mais bela e arcaica
Agonia
Nada se encontra
em amar e viver
Além daquele tanto que ficou
Enquanto só resta esperar

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