“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Desenganado

Tenho inventado palavras novas
Que definam quem sou
A língua que falo não basta
Letra nenhuma abriga
Da chuva
Dos dias mais longos

Tenho vivido a beira de mim
Meus sonhos loucos
Minha voz rouca
Não bastam
Pra que eu perca de vez
A razão

As perguntas que faço
A todas as coisas mudas
Tetos, janelas
Você
Calados como se soubessem
É questão de tempo
Até que eu perceba

Saio e torno à casa
E a música que embala a noite
Não distrai meus ouvidos
Preciso ver outras coisas
E a bebida que eu bebo
Embriaga os outros
E não turva minha visão

Eu sei, eu sei.....
É hora de me despedir
Uma prece, um beijo
Um passo atrás do outro
Até que se chege em algum lugar.
Eu sei.

Mas é que venho caminhando,
Distante
Imaginando o lugar
Em que eu enlouqueceria
E de todas as crenças
Nenhuma resistiria.

Nesses passos
Eu vejo o mesmo filme
As mesmas horas
Gastas as minhas pernas
Doídas como tudo mais
E certeza nenhuma
Parece querer deixar
A cena, o sono,
Ou minha face voltada
Para a única busca
Que não posso buscar.

O que me resta?
O vento a gritar
As perguntas de volta
Jogadas no ar
A verdade óbvia
Gélida e velha
Cansada de esperar.

É cedo, é tarde, está na hora.
Eu sei
Mas saber não basta
E não cessa
Quando ajoelho
Tornando a rezar.

Cairão como o que pesa
As certezas e a fé
No momento em que meus pés
Tocarem o chão.
Eu deixarei esse lugar
Mas agora,
Tenho caminhado em silêncio
Até que as palavras que murmuro
A mim mesma
Encontrem o que eu perdi
Ou escrevam algo novo
Longe daqui.


"Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim"



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