“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

segunda-feira, 17 de abril de 2017

muro

esse lugar vai ser um lar
ainda que demore
a se achar um retrato
um enfeite
demora recomeçar

se você não consegue dizer
ou gritar
alguma coisa que valha
ou mude essa ideia
da força que falta
 se nada se mexe
e você sabe
então
existe outro lugar
e os nossos lugares são tão distantes
eu não posso ficar
 
e não posso entender
ou não olhar
eu preciso ver
o que foi feito
dessa falta de tempo
e de força

como é que se força a verdade
pra fora daqui
eu quero outra mente
outro ímpeto
outra alma fácil
que não tenha coragem demais
outra razão
que não atenda a pedidos
ainda que se peça novamente
ainda com voz suave
outro amor banal
que não prometa nada
nunca
jamais

esse lugar vai desmoronar
eu não quero alguém que fique
tampouco um desafio
quero o que é inteiro
e sem medo do que é

eu não preciso de nada
e ainda assim
sou obrigada a provar
da taça que bebi ontem
e quebrei no escuro
do sono que já não sinto

construo ainda o lugar
posto abaixo
consumado no chão
não importa o tempo
ainda que eu vague
imperfeita
fadada a recomeçar

algumas coisas continuam
mas pedra sobre pedra
eu divido dois lados
até que algum ganhe
ou pare de tentar

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