“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

domingo, 30 de abril de 2017

Breu

Existem palavras melhores
E o que nunca poderei dizer
Não sei contar histórias
Só sei assistir o que passa
E de relance
Some de mim

Agonizo pelos dias melhores
Que passaram
E morrerão
Como memória
Do que nunca existiu

Como foto guardada em gaveta
Como o que se esconde em rancor

Existem linhas maiores
E falam de dentro pra fora
Que reconhecem a alma
E cantam canções
E falam infinitos idiomas

Eu não sei escrever
Mas queria contar o que vejo
Quando olho pra você

Eu não sei explicar o que ficou
E nem o que seria
Se eu soubesse chegar
Se eu soubesse nadar
Nesse rio que corre
Se eu fluísse
E pudesse desaguar

Eu desafio
Os maiores amores
A encontrar as palavras
Ainda assim eu diria
Nenhuma delas é lar
Sob o teto que erguemos

Mas eu não sei
E por não saber desgraço
Esse amor e a culpa
Por não saber eu sigo
E é infinito o olhar
Eu sigo olhando pra trás
Eu preciso ver o seu rosto
E imaginar o que seria
Se eu soubesse amar

Mas é segredo
O que sussura minha mente
E embrasa o peito
E cega os olhos

O que fala de noite
E faz meus braços abismo
Sangue
Poesia
Lembrança
Eu preciso do corte
Mas as palavras traem
Jorram as memórias
Noite afora
A ferida aberta, o silêncio
Amantes do escuro
sórdidos
sádicos

Não existe língua que fale
Ou traduza
O que vive em mim

Nenhum comentário:

Postar um comentário