Somente dão voz
Ao que dói e respira
Os verdadeiros amantes
As histórias mais leais
Ao que habita a alma
E consome a mente
Como lâmina que adentra
O âmago
E ali vive
Eterna
Disseca todo o resto
Somente os que vivem
Com uma parte ausente
Sabem da vida
E dão luz a histórias
Humanas demais
Sabem que é possível amar
E seguir
Viver de um passado
Despedaçado
Ausente de si
Os amantes desvairados
Que entornam as taças
E lembram de tudo
E tatuam em vermelho
O que queima
E rouba
Tudo de si
Que descem as ruas
E assustam as famílias
E falam de algo
Secreto e intenso
E tão imenso
Que destrói o que é certo
Desafia as leis
Desfaz o tempo
Desconstrói a herança
E gasta a moeda
Aqueles que viveram
O que vive esquecido
E que lembram tudo
Quando se lembra alguém
Sabem mais
E debocham de tudo
Todo dia vivem
Tudo de novo
E doem como se nunca
Tivessem conhecido
Algo além do êxtase
Do segredo contado entre almas
Quando se ama alguém
Nada mais incomoda
Num corpo oco
No exílio de um amor que morreu
São histórias longas
Como um velório sem fim
Aqueles que amaram em febre
Não sabem enterrar
Dizem adeus todo dia
E já viveram demais
Como quem sepulta todo o resto
E não precisa de nada além
Daquele pedaço de tempo
Que existiu
Como nada mais existiria
Ou honraria a existência
Como o mais nobre segundo
Que não acaba jamais
Os amantes passados são ébrios
E isanos
E a única coisa que lhes toca
É falar do que arde
E como ninguém
Descrevem tudo com olhos jovens
E almas arcaicas
Que precisam ver o amor
Viver mais
Precisam ver lágrimas jovens
Que herdem deles
Algo que não seja vazio
De paixão e idade
De posse e entrega
Precisam contar
Que não existe nada
Além
Das almas trêmulas
Do laço do tempo
Do toque no escuro
E dirão pra sempre
Que o único ouro da vida
Vem do único valor
Impossível calcular
Da agonia em amar
Nenhum comentário:
Postar um comentário