“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Inconsciente

choro pelo vazio
pelo que não posso tocar
pelo que apaga
e fica entre o tempo
e a dúvida
algum dia
outra vez
são todos tons de adeus
o que existe não cessa
o que é agora não some
ficam perguntas não feitas
são corpos e vidas e histórias
que não vivem
pairam no ar
são muitos sonhos a acordar
muitas as ausências da mente
sem saber para onde
seguiram as mentiras
seguimos sem saber
como seguir

mesmo sabendo o caminho
as mãos não se tocam mais
tampouco o conjunto dos corpos
acalma o tempo
todos esqueceram como parar
vivo a me perder
por olhar demais as horas
por cansaço ou ingratidão
ninguém enxerga os caminhos
todos abandonaram a estrada
o que se vê
 antes de adormecer
o que dói
de olhos fechados
e percorre cada passo
e reside na própria pressa
 é o único destino
uma única jornada
a se abraçar
a dor é o encontro
de tudo o que foi
ou segue perdido
em todos nós

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