“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Termo

Nasci no dia errado
E a vida veio depois
Sucessiva
Desordenada

Se o que se prolonga
Tivesse acabado cedo
E o caos exato
Não durasse mais
Que qualquer verdade conhecida
Eu suportaria muito menos

Se os golpes fossem
Apenas vento
As portas não bateriam tão forte
E o escuro
Fosse somente a noite
Talvez eu estivesse mais longe

Mas nessa exatidão
Do que nunca acontece
O caminho é de pedra
E o breu é de ausência

Mais que muito
A única brisa
Embalando o caos
É uma prece sem fim
Desde o dia em que o erro
Falou primeiro
E o presente dado
Era o jeito
Teimoso
Com que a vida insistia

E dessa briga
Da mão espalmada forte
Queimando o rosto
(O mesmo rosto no mesmo corpo
deitado, úmido e nostálgico)

Dessa linha torta
Levando a lugar nenhum
Saí
E talvez até agora
A ideia de viver
Tenha passado distante

Mas a marca da mão
E das horas perdidas
Ainda habita o rosto
E apesar do horário
Não fazer nada além
De promessas

Esse nascer continua
E retorna
Ao começo
De todos os erros



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