há algo por trás do seu rosto
pelas suas costas
um resquício vaidoso
do que se costumava ver
deve ter sido
deveria ter havido
aquela certeza
a proeza em continuar
mas então há a memória
de que história alguma
sobrevive de heróis
não haveria o que salvar
enquanto não fôssemos dois
cinzas e pedras
nós viemos ao chão
não haviam asas
ou vento
de onde viemos
precisávamos ir
a tantos lugares diferentes
caminhar é impossível
com tantos destinos
a erro
a esmo
sempre mais do mesmo
nós dissemos adeus
em línguas diferentes
a prova da despedida
é a mão que se estende em desespero
o abraço desmorona
a recusa em exergar
é o reflexo da demora
da dor em precisar ir
quando o maior delírio
é desejar querer ficar
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