“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

domingo, 20 de novembro de 2016

Babel

há algo por trás do seu rosto
pelas suas costas
um resquício vaidoso
do que se costumava ver

deve ter sido
deveria ter havido
aquela certeza
a proeza em continuar

mas então há a memória
de que história alguma
sobrevive de heróis

não haveria o que salvar
enquanto não fôssemos dois

cinzas e pedras
nós viemos ao chão
não haviam asas
ou vento
 de onde viemos

precisávamos ir
a tantos lugares diferentes
caminhar é impossível
com tantos destinos

a erro
a esmo
sempre mais do mesmo
nós dissemos adeus
em línguas diferentes

a prova da despedida
é a mão que se estende em desespero
o abraço desmorona
a recusa em exergar
 é o reflexo da demora
da dor em precisar ir
 quando o maior delírio
é desejar querer ficar

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