“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

domingo, 27 de novembro de 2016

calamidade

antes eu explodisse
e fossem pelos ares
todos os últimos delírios

antes não coubessem em mim
essa vontade amarga
que não consigo engolir
essa febre insana
queimando a memória
que teima em você

o que são agora
as minhas promessas
fracas
estúpidas
se jogam ao chão
quem manda serem assim

o que é agora de mim
está pelos cantos
como uma canção besta
 cantada sem querer

antes eu declarasse guerra contra mim
antes eu escrevesse bêbada
a culpa é minha
e eu disse não

havia fome e sede
e os escombros de uma voz forte
antes eu gritasse
e fugisse

antes você não estivesse dentro de mim

o que resta de mim
se arrastando por algo além
dessa dor que martela seu nome

se ao menos eu pudesse levantar

mas é uma força desgraçada
pregada em lugar algum

não há mais aonde eu queira estar

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