“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Olho

[sempre houve o sonho
de você estar aqui comigo
saber do outro lado de mim]

existia um muro alto
e você ficou preso na estrada
uma nuvem se dissipava
e não haveria outra chance

tão longe eu via
a figura de um homem só
com quem eu sentaria pela eternidade
se apenas houvesse lugar

tudo era dor
que não se encontrava
tudo era tempo
escorrendo entre os dedos

eu sei o seu nome
e não consigo chamar
pra onde é que se volta
quando só o que resta é ir

sei que um dia estive aqui
antes do vento
que apagou o lugar
o nome
o rosto

os planos imploravam por nós
que sempre estivemos a um triz
de falar a mesma língua

eu queria olhar nos seus olhos
conhecer esse espelho
apontado sempre pra você
veria o seu centro
e miraria pro outro lado
em busca de alguém

[sempre houve a prece
de ver amor em você]

vive em mim
esse espaço
que não sangra e nem fecha
de uma vontade que sucumbiu

tudo é adeus
nessa busca insana que é tão sua
de quem teima em ser feliz

tantas vezes repeti
o perigo em andar só
é o desespero em provar
o que ninguém se lembra mais

o muro era alto
e era preciso atravessar
 não sei dizer de que precisei
enquanto você não esteve lá

enquanto o seu olhar varria de mim
meus próprios traços
rabisquei num papel
um desenho qualquer
se uma parte minha ficasse
eu poderia continuar

perdi tantas coisas
e você não foi uma delas
descobri que podia ficar
não existe medo
na cicatriz dentro de mim

não há mais nada
além dessa paz reinante
hoje me lembrei
havia algo lá fora
e você não pôde entrar

 não há mais dúvida
se existe um segredo
é que não há caminho
ninguém sabe chegar

aqui nesse canto de mim

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