“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

arca

parte de mim
meus olhos procuram
exaustos
se esvaindo aos poucos

como saber
aonde começa o seu fim
caminhava a esmo
não deveria existir uma vida
em que eu não corra pra você
agora sento a contemplar as flores
da saudade que brota em jardim

a agonia em reviver
cada escolha
em que me vi
longe do que me fez
eu fui você
antes que pudesse saber
morava a eternidade
em um sorriso seu

 partes de mim
e já não há nada a fazer
minhas mãos se foram
junto do aceno
meus braços, embaixo da terra
aninham seu sono

no meio do jardim há um tesouro
a foto do meu coração
em uma arca invisível
tudo que é meu jaz ali

tudo que é meu em ti
queria dizer mais
mas tudo seu é sagrado
o elo puro
entre o passado e a dor

[você é resumo da minha vida
antes e depois
continuam sem mim
nunca mais existirei
além da falta de você]

 o seu nome será dito
em cada sonho meu
mas quando acordo
é mistério que se faz
jamais segui só

você vive
e todo lugar é seu
não existe mundo em que eu viva
está extinto o meu peito
cravado no seu
preciso estar
aonde não exista adeus

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