“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

domingo, 10 de setembro de 2017

Ida

Não é fácil assistir você virar passado, deixar sumirem um a um, todos os resquícios. Enquanto eu for boa com as palavras, talvez encontre uma definição para a agonia de não agarrar qualquer memória desesperada e ficar, um jeito de explicar como eu só sei ceder frente a tudo que desapareceu. O quarto fechado não me esconde mais.
Talvez não seja a hora de falar, desistir ou tentar, só o silêncio parece certo. Só o que some parece trazer paz. Tudo o que resistia cede lugar - querer, teimar, voltar. Nada mais merece um olhar, nada mais pede tempo e tampouco vai esperar. O escarcéu silencia deixando pra trás uma bagunça imensa, pacata - o depois não é infinito, afinal. Sei que o desfile passou, que as coisas seguem espalhadas pelo chão e a banda toca em algum canto da cidade, mas meus olhos e ouvidos sabem-se sãos, sabem-se úteis - e de tão conscientes, olham algo mais.

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