“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Correio

Essa é a última carta
e talvez não chegue
até as mãos
é sua por direito
assinada
rasgada
a punho
e dentro do peito

Essa linha é de desabar
como os seus olhos
desaguando em adeus
uma corrente que segue
sempre contente
prestes a desistir

essa outra é do silêncio
pelo meio do caminho
que ninguém andou
o silêncio claro e preciso
nesse feixe de luz
só e meu

a tinta é de cor neutra
como a folha de papel
com suas dúvidas impressas
e suas notas invisíveis
o meu nome riscado
numa lista
de presentes que ficaram

a despedida é óbvia
de tão rápida corta os dedos
como os seus pensamentos
falando sempre tão baixo
e esperando a dor passar
como um bilhete sem palavras
vivendo de esperar

a data não ocupa
o topo dessa folha
não houve tempo
ou o que quisesse estar

essa é a última vez
em que a resposta falha
e o querer insiste
sobre quem não resiste
sem saber que essa carta
(como todo o resto de amor)
é feita de ficar

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