“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Fogo

como partículas de ser
e poeira da memória,
flutuam lentas pela sala
a luz e a quietude
do não repousar

talvez haja um dia
ou sejam anos
até qualquer retorno
ou sombra de um rumo

talvez eu não veja jamais
alguma velha estrada

o silêncio do cansaço
e a paz de uma história contada
velada
atravessada pelo tempo
invadida por um presente óbvio

irremediavelmente sem graça
como chama extinta
vivendo apenas
do fato de ter queimado
da fumaça que vai

não existe razão
para o valor
dos maiores tesouros
ou motivo para o início
que narra uma vida

as mensagens do fim
são soltas
e inertes
em dialeto dormente nos lábios
em sutil desespero

toda história
sobrevive de finais
e reside em ausências
como um vazio perfeito nos olhos
e absoluto na alma

Nenhum comentário:

Postar um comentário