“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

terça-feira, 18 de julho de 2017

Lei

plantei alguns segredos
e esperei em silêncio
uma flor que nasce invisível
e brilha ao luar

falo uma língua
noite adentro
que desponta a corrente
e flui em prata
amanhece perdida
e repousa em mistério

agora digo
meu mais longo adeus
e misturo tudo a essa palavra
como se não houvessem outras
mas peço a mim mesma
que não esqueça
do som da noite
e do céu
vindo abaixo

agora sei de cada parte
que imagina o retorno
mas que precisa lembrar
das duas beiras do rio
e da floresta que encontra
todas as coisas perdidas
não posso mais ver
o seu rosto do outro lado

 e nessa hora
em que tudo fala
é a única
em que eu nada quero ouvir
nesses tempos exatos
das minhas profecias
plantei algumas memórias
e já não posso
colher o que nasce
enquanto houver você

Nenhum comentário:

Postar um comentário