“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Clichê

sobre o que não se nomeia
e desponta em toda praia
existe em todo olhar
e jamais resistirá:

nunca me arrependi
de ter amado
ou falado de amor

existe uma hora
em que tudo é necessário
tropeços, lamentos
até mesmo o sopro
perto das manhãs
as noites na memória

por vezes
eu soube expressar
e levar na alma
o que estivesse
ao alcance do encontro
e de tudo que quis encontrar

precisei de muitos plurais
e de outros dias
apertando o peito
talvez eu tenha me despedido
mas nunca foi de vez

de qualquer jeito
ou em qualquer recorte
alguma coisa se repete
e o primeiro raiar da história
ou aquela tarde de adeus
são enchentes sem hora
quando preciso contar

sei que exagero
mas não há outro meio
quando se conta de tudo
o que cabe na ausência

existem, no íntimo
duas faces puras
doentes de paixão
suas bocas ávidas
nascentes em verdade
uma conta da ida
outra da saudade

a chegada do amor
é o triunfo
de qualquer fim

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